Inauguração da Sala CUIDAR reforça combate à mortalidade materno-infantil no Maranhão

Inauguração da Sala CUIDAR (Foto: Julyane Galvão)

O Governo do Estado reforçou as ações de enfrentamento à mortalidade materno-infantil no Maranhão, nesta quinta-feira (11), com a entrega da Sala CUIDAR – Rede de atenção às urgências e emergências obstétricas. Funcionando na Maternidade de Alta Complexidade do Maranhão, a sala oferecerá suporte técnico de apoio e validação das conduções de situações de emergências à distância para 67 unidades de saúde de 60 municípios maranhenses.

Através do serviço, médicos e outros profissionais de saúde terão apoio técnico no diagnóstico, manejo e tomada de decisão durante a emergência obstétrica. O objetivo é auxiliar na condução das situações, tanto para solução imediata, quanto na estabilização do quadro para posterior condução para uma unidade de referência especializada.

“A Sala CUIDAR une tecnologia, informação, ciência e cuidados. O Maranhão é um estado grande, no caso de uma emergência, muitos hospitais não têm a quem reportar. Com a sala, garantimos apoio 24 horas por dia aos profissionais de saúde. É uma das muitas políticas de estado, a exemplo do Cheque Cesta Básica – Gestante, para que possamos melhorar os indicadores de saúde”, destacou o secretário de Estado da Saúde, Carlos Lula.

Para a coordenadora da Unidade Técnica de Família, Gênero e Curso de Vida da Representação da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS) no Brasil, Haydée Padilla, a iniciativa mostra o comprometimento da gestão no combate à mortalidade materna, um trabalho que vem sendo construído há alguns anos.

“A inauguração mostra um processo de construção das autoridades e profissionais do Maranhão para cuidar para que as mulheres não morram. É um processo histórico em todo Brasil. O Maranhão já é um modelo de como fazer as coisas. Com essa decisão política, com a capacidade técnica e com os recursos, podemos melhorar a saúde da população”, disse Haydée Padilla.

Inauguração da Sala CUIDAR (Foto: Julyane Galvão)

Também presente à entrega, a diretora do Centro Latino-Americano de Perinatologia, Saúde da Mulher e Reprodutiva (CLAP/SMR-OPAS/OMS), Suzanne Serruya contou que costuma ouvir de gestores que faltam recursos para investir em saúde, contudo ela disse que o segredo das melhorias na área está na gestão correta.

“Daqui vem o grande exemplo. Maranhão não é o estado mais rico do Brasil, mas é o estado que mais mudanças sociais fez nos indicadores nos últimos anos. A mudança nos indicadores é a melhor forma de avaliar se o Governo está gastando bem. Você pode gastar muito e não ter resultados. O que o Maranhão fez é histórico”, comentou a diretora.

Durante a inauguração da Sala CUIDAR, o secretário Carlos Lula entregou ao secretário Municipal de Saúde de Balsas, Luís Flávio de Lima, uma caixa contendo os dois kits de emergências obstétricas, cada um dedicado à uma das duas condições clínicas que serão abordadas no serviço. Os kits são compostos por medicações e insumos usados na condução das duas abordagens, além do traje antichoque não pneumático (TAN).

“Essa iniciativa soma para melhorar nossos níveis de atenção às gestantes e recém-nascidos. Balsas tinha em 2015 os piores índices de mortalidade materna do Maranhão. Transferíamos cerca de 30 bebês por mês. Passamos recentemente mais de 400 dias sem óbitos maternos na regional, a média de transferência caiu de 30 para dois bebês. Isso é resultado do trabalho em conjunto”, ressaltou o gestor municipal.

Também marcaram presença na entrega do serviço a secretária de Estado da Mulher, Ana Mendonça; o secretário extraordinário de Articulação de Políticas Públicas (SEEPP), Marcos Pacheco; a subsecretária de Estado da Saúde, Karla Trindade; a representante do Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas do Ministério da Saúde, Kátia Souto; a consultora de saúde da mulher da OPAS/OMS, Mônica Iassanã; e o presidente do Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Maranhão (Cosems/MA), Vinícius Araújo.

Sala CUIDAR

Inauguração da Sala CUIDAR (Foto: Julyane Galvão)

A Sala CUIDAR dará suporte 24h, todos os dias da semana, para 67 unidades de saúde de 60 municípios maranhenses que conduzem gestantes no estado. Seis enfermeiros obstetras especializados e treinados farão o atendimento das ligações e conduzirão a aplicação dos protocolos.

Os atendimentos seguirão os procedimentos listados no documento técnico “Recomendações Estaduais de prevenção, diagnóstico e tratamento das emergências obstétricas”, elaborado pelos técnicos da Rede de assistência em saúde da SES, com orientação da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS) e validação de médicos e diretores clínicos das maternidades de alta complexidade do Maranhão.

Neste primeiro momento, o serviço será direcionado à aplicação de recomendações voltadas para as duas principais condições clínicas que levam à morbimortalidade de mães e bebês: a hipertensão e a hemorragia durante e no pós-parto.

Os 67 hospitais que terão acesso ao serviço receberão da SES uma caixa com dois kits de emergências obstétricas, cada um dedicado à uma das duas condições clínicas que serão abordadas no serviço. Os kits são compostos por medicações e insumos usados na condução das duas abordagens.

Um dos destaques do kit é o traje antichoque não pneumático (TAN), doado pela OPAS/OMS ao Maranhão. O TAN permite controlar o sangramento temporariamente, o que ajuda a aumentar a sobrevida das mulheres enquanto aguardam procedimentos ou transferência para uma unidade de saúde de referência. As unidades receberão treinamento para uso do equipamento.

Treinamento das equipes

Inauguração da Sala CUIDAR (Foto: Julyane Galvão)

Os seis enfermeiros obstetras e especialistas que farão os atendimentos na Sala CUIDAR passaram, na terça-feira (9), por intenso treinamento no auditório do Hospital Nina Rodrigues. Os seis enfermeiros foram selecionados de acordo com dois critérios, conhecimento técnico na assistência ao paciente e experiência na comunicação e articulação com públicos diversos. Os profissionais atuavam nas maternidades do estado em São Luís.

“O treinamento envolveu a condução específica das duas condições, dentro do que está previsto nas recomendações técnicas do Estado, com um momento de abordagem prática. Assim como os scripts de atendimento, como conduzir a ligação, que tipo de direcionamento dar, como fazer o acolhimento e abordagem à distância”, informou Ana Clara de Carvalho Santos, assessora técnica da SES e obstetra especialista.

A enfermeira obstetra Sandra Carvalho atuava na Maternidade de Alta Complexidade do Maranhão entes de iniciar no novo serviço. “Me sinto honrada de ter sido escolhida. A minha expectativa é diminuir as taxas de mortalidade. Vamos salvar vidas”, disse.

Como funciona a Sala CUIDAR

– O profissional de saúde do hospital liga para a Sala CUIDAR por meio do número disponibilizado; 

– O enfermeiro obstetra fará junto ao profissional de saúde do hospital um levantamento da situação medica do paciente; dois casos serão atendidos: hipertensão e hemorragia; 

– O enfermeiro obstetra dará suporte técnico à distância na condução da emergência, com orientações que constam nas “Recomendações Estaduais de prevenção, diagnóstico e tratamento das emergências obstétricas”; 

– Caso seja necessário, o enfermeiro orientará o profissional a buscar apoio de uma unidade de referência especializada, após estabilização do paciente; 

– A equipe do hospital deverá informar a Sala CUIDAR o desfecho para encerramento do atendimento.