Em evento com governador do Rio Grande do Sul, Flávio Dino debate soluções para conter a pandemia

Governador Flávio Dino destacou os efeitos do isolamento social no combate à pandemia no Maranhão (Foto: Brunno Carvalho)

O governador Flávio Dino participou, nesta quinta-feira (29), do evento “Lockdown no Brasil: desafios e aprendizados do Maranhão e Rio Grande do Sul”. O debate foi organizado pela ONG Impulso Gov, responsável pelo movimento #AbrilpelaVida, que está organizando uma série de diálogos e que propõe três semanas de bloqueio total no Brasil para controlar a Covid-19. Eduardo Leite, governador gaúcho, também marcou presença no evento virtual.

Questionado sobre como foi o período de quase três semanas do chamado lockdown no Maranhão, em maio de 2020, Dino afirmou que houve grande adesão da população e de gestores e lideranças, reduzindo os indicadores da doença.

“Nós sabíamos que seria um esforço decisivo, e foi muito bem sucedido, não há dúvidas [que evitou o colapso hospitalar], mas não no sentido, obviamente, de erradicar o coronavírus. Não houve nenhuma resistência do Poder Executivo [ao bloqueio] e a população maranhense participou bastante, como de modo geral tem participado, fruto desse diálogo que nós temos mantido”, explicou.

Ainda no começo da pandemia, o Maranhão foi o primeiro estado do país a adotar medidas mais severas de confinamento. A ação se deu por determinação judicial, através de solicitação do Ministério Público do Maranhão (MPMA), acatada pelo governador, e compreendeu a região metropolitana de São Luís, que, além da capital maranhense, inclui os municípios de Paço do Lumiar, São José de Ribamar e Raposa.

Na ocasião, a ilha teve entrada de veículos restrita, com exceção para caminhões, ambulâncias, veículos transportando pessoas para atendimento de saúde e atividades de segurança. Mais de 30 barreiras com fiscalização educativa foram espalhadas pelas cidades, veículos particulares foram proibidos de circular, atividades não essenciais também foram proibidas, assim como aglomeração de pessoas. Através de decreto ficou obrigatório o uso de máscaras. Por fim, bancos e lotéricas puderam abrir apenas para o recebimento do auxílio emergencial, de salários e benefícios, sem lotação máxima nesses ambientes, com organização de filas mantendo o distanciamento.

“O lockdown foi fruto de uma convergência. O segredo de tudo é o diálogo, a mediação, é o envolvimento da gestão estratégica com o nível operacional, aproximar esses dois fatores para poder tomar uma decisão rápida. Havia uma convergência [entre população, políticos e comitê científico], e se o Ministério Público não tivesse pedido e o Judiciário não tivesse decretado eu teria feito [o lockdown], porque, naquele momento, começo de maio, estávamos numa trajetória ascendente, e a recepção foi bastante favorável, com engajamento alto da sociedade, pequena resistência”, contou Flávio Dino.

Números

Um ano após a eclosão da pandemia no Brasil, o Maranhão segue como o estado que melhor combate a doença. Com base em dados divulgados pelo Ministério da Saúde (MS), o jornal Poder 360 publicou na última semana levantamento que calcula o número de mortes por milhão de habitantes. O Maranhão é o único estado com marca inferior a mil (942). A média nacional é de 1.713. A título de comparação, no Amazonas morre 2.885 para cada milhão de habitantes.

O cenário mais favorável reflete o conjunto de ações adotado pelo governo estadual para salvar vidas, em especial ao aumento substancial da rede de assistencial clínica e de Unidades de Tratamento Intensivo (UTI) dedicadas ao tratamento de pacientes da Covid-19. 

Para se ter uma ideia, o Maranhão passou da marca de mil novos leitos exclusivos para Covid-19 em 2021. No intervalo de um ano, a rede estadual de saúde contabiliza mais de 30 inaugurações ou ampliações de unidades de saúde em todas as regiões do estado.

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