Mãe e professora relata experiência de usar ferramentas do Governo do Maranhão para dar aula durante a pandemia

David e Gilmara na aulas à distância (Foto: Saulo Marino)

David Nunes Silva, 15 anos, acorda às 7h da manhã, toma o café, veste a farda da escola e… volta para o quarto. Durante a pandemia suas aulas virtuais no Centro de Ensino Paulo Freire, em São Luís, começam às 8h da manhã. Ele cursa a 1ª série do ensino médio. Atrasar nem pensar: sua mãe é a professora de geografia. 

Aos 45 anos, Gilmara Nunes se divide entre educar o filho no meio de uma pandemia e dar aulas à distância. “É difícil ser mãe-professora na pandemia. Eu acordo ele cedinho, faço ele se trocar, tomar o café e assistir às videoaulas. O mais difícil pra ele foi perder o contato com os amigos. Meu filho tinha uma vida social bem agitada, ia no cinema, sempre tinha festas de aniversário dos amiguinhos”, diz.

Por outro lado, quando assume as funções de professora, Gilmara se apoia nas ferramentas oferecidas pelo governo estadual, por meio da Secretaria de Educação (Seduc), para diminuir os obstáculos entre seus alunos durante as atividades remotas.

“Meu maior desafio foi se adaptar, até então nós não éramos acostumados a dar aula pela internet. Mas está dando tudo certo! Agora, eu vi no site da Seduc que vai começar a TV Educação, avisei meu filho e mandei para todos os meus sobrinhos, eles estão assistindo direitinho, e isso vai ajudar meus alunos também”, conta.

Ainda em 2020, o Governo do Maranhão distribuiu 115 mil chips de celular para os alunos da rede pública que cursavam o ensino médio. Naquela época, o objetivo era fazer com que os maranhenses não fossem prejudicados durante a preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Com 20 GB de pacote de dados, os estudantes tiveram acesso livre à internet até janeiro de 2021, mês que foi realizado as provas do principal vestibular do Brasil.

Agora, em fevereiro de 2021, uma nova remessa de 200 mil chips está sendo distribuída para todos os alunos da rede pública que cursam o ensino médio no estado. A intenção é reduzir os danos à aprendizagem em face da pandemia.

Mais aulas

Com acesso à internet, alunos e professores podem navegar por mais de mil aulas disponíveis na plataforma ‘Gonçalves Dias’, ambiente virtual que reúne diversos materiais voltados justamente para estudantes do ensino médio, além de baixar apostilas, roteiros de estudos e questões comentadas. Enquanto isso, apostilas impressas estão sendo entregues por meio das Unidades Regionais de Educação.

Focado no ensino remoto, o governo estadual investiu ainda em podcasts para estudar transmitidos pela Timbira AM e disponíveis para download no site da rádio. No mês de março, a novidade foi o lançamento da ‘TV Educação – Caminho para o saber’. Com sinal aberto, o canal de televisão foi criado pelo Governo do Maranhão para difundir conteúdos educacionais e pode ser sintonizado no 10.2 da TV aberta.

Nesta primeira etapa, as aulas para o 1º ano ensino médio estão sendo exibidas às 7h da manhã, com reprise às 13h e às 18h30. Já o conteúdo para 2º ano é transmitido às 8h30, com reprise às 14h30 e às 20h. Por fim, os alunos da 3ª série podem assistir as vídeo-aulas às 9h40, com reprise às 15h40 e às 21h10. A programação é divulgada diariamente pelo site e páginas oficiais da Seduc nas redes sociais.

Além da capital São Luís, o sinal da TV alcança outros 15 municípios maranhenses: Alcântara, Axixá, Bacabeira, Bacurituba, Balsas, Davinópolis, Gov. E. Lobão, Icatu, João Lisboa, Paço do Lumiar, Raposa, Rosário, São Bento, São José de Ribamar e Senador Lá Roque. A Seduc trabalha pra ampliar o sinal para todas as regiões do estado.

David e Gilmara na aulas à distância (Foto: Saulo Marino)

A programação também será expandida, com cursos e oficinas ministradas por profissionais do Instituto Estadual de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IEMA), além de aulas de idiomas.

Gilmara está ambientada com o ensino remoto e diz que aproveita as ferramentas da melhor maneira possível, mas sente falta da presença dos alunos em sala de aula. Ao passo que o retorno não acontece, ela se divide entre as aulas de geografia no ambiente virtual, ser mãe e reforçar com seu filho e alunos a necessidade de seguir as regras sanitárias.

“Eu espero que essa vacina chegue logo para todo mundo, mas as pessoas precisam ter consciência, usar máscara e manter o distanciamento social, porque mesmo com a vacina as pessoas ainda podem se contaminar”, comenta.

Enquanto isso, seu filho David segue focado nos estudos. O sonho é terminar a escola e ser aprovado no Curso de Formação de Oficiais. “No começo era muito difícil concentrar nas aulas virtuais, mas a gente vai se adaptando. Por outro lado as ferramentas facilitam porque eu não preciso sair de casa, pegar trânsito, me atrasar pra aula, me expor ao vírus. Estou dentro de casa, aí é só eu ligar o computador ou a televisão que já estou ‘dentro da aula’”, completa.

Comentários

Comentários