Assistência oferecida pelo Governo no CAPS AD resgata vidas do mundo das drogas

Consultor de negócios, Luís Fernando (Foto: Márcio Sampaio)
Nivaldo Amorim (Foto: Márcio Sampaio)

Por meio da assistência oferecida pelo Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD Estadual), o Governo do Estado tem contribuído para o resgate de pessoas envolvidas com drogas e outras substâncias psicoativas. Através do atendimento humanizado e da reabilitação psicossocial de usuários com transtornos mentais decorrentes do uso de álcool e drogas, o centro promove a inclusão social e o fortalecimento da cidadania. O serviço tem promovido mudanças positivas na vida de muitas pessoas. 

“Eu cheguei a uma situação deplorável em que eu ficava semanas na rua, até o dia que eu fui pedir ajuda no CAPS, onde fui muito bem acolhido e recebi a oportunidade de tratamento. Fiquei por um ano realizando as atividades, e hoje, recuperado do vício há seis anos, realizo toda sexta-feira um projeto no próprio CAPS, junto com a igreja da qual faço parte, chamado Vício Tem Cura”, afirma o consultor de negócios, Luís Fernando, 42 anos. Ele conta que começou a se envolver com drogas aos 14 anos e que durante os 22 anos em que foi dependente químico utilizou todas as drogas não injetáveis possíveis.  

Considerando o impacto do serviço na vida das pessoas, comprovado com a história de Luís Fernando, o CAPS AD Estadual manteve seus atendimentos durante a pandemia da Covid-19, seguindo os protocolos higiene e distanciamento social e se fortaleceu ainda mais como ferramenta essencial na assistência a dependentes químicos, como explica o diretor, Marcelo Costa. 

“Em momento algum da pandemia o CAPS fechou as portas, mas para dar continuidade aos atendimentos criamos um plano de contingenciamento, que objetivava diminuir o número de pacientes dentro da unidade, cuja média diária que era de 80 pacientes. Passamos a atender no máximo 30 pessoas por dia, fazendo com que elas rodassem durante a semana em vários regimes, diários, semi-intensivo e não intensivo”, relata Marcelo Costa, diretor do CAPS AD Estadual.  ,

Para assegurar o atendimento às pessoas que possuam alguma comorbidade, também foi disponibilizado o serviço de telemedicina, realizado através do telefone por médicos que também fazem parte do grupo de risco por conta da idade e, por isso, estão trabalhando home office.  

Outra medida foi intensificar o acompanhamento da população em situação de rua através das Ações Resgate. Foram cinco ações realizadas só no período da pandemia, onde foram resgatadas 160 pessoas em situação de rua e usuários de drogas. O trabalho aconteceu em parceria com a Secretaria Municipal da Criança e Assistência Social (SEMCAS), que os abrigaram no Estádio Castelão, Abrigo Vila Palmeira, Abrigo Afonso Pena e Abrigo Olho D’água. 

Além da entrega de cestas básicas, durante as ações foram vacinadas contra a H1N1 mais de 200 pessoas em situação de rua e usuários de drogas e realizados mais de 60 testes rápidos em pessoas que ainda estão em situação de rua. 

O diretor do CAPS AD Estadual, Marcelo Costa, destaca ainda que desde a reabertura gradual das atividades no geral, houve uma explosão muito grande de procura por tratamento. 

Cerca de 30% dos pacientes tiveram recaídas por conta do confinamento, ficando mais vulnerável ao consumo do álcool por exemplo.

“Estamos fazendo atualmente em média 4 internações por dia, o que representa um aumento de 15% na procura do serviço CAPS de saúde mental. Atualmente, são 15 pacientes internados por 24h, mas continuamos com a quantidade de pacientes reduzida dentro da unidade, trabalhando ainda com a rotatividade de pacientes e deixando na unidade aqueles que realmente tem mais necessidade e mais vulnerabilidade social”, acrescenta Marcelo Costa. 

Atendimento que continua mudando muitas vidas para melhor, como a de Nivaldo Amorim, 38 anos, que está em tratamento há seis meses. Abrigado no Estádio Castelão, ele participa das oficinas oferecidas pelo CAPS e já pensa em voltar ao mercado de trabalho.  

“Tem muitas pessoas que têm a oportunidade e não conseguem agarrar com as duas mãos. Minha caminhada até aqui não foi fácil, mas eu estou me esforçando, quero ter um trabalho e voltar a estudar. Eu me envolvi com todo o tipo de droga, mas há cinco meses estou limpo e quero dar continuidade ao meu tratamento”, afirma Nivaldo.  

O centro, que está retomando a normalização dos trabalhos de forma gradual, funciona atualmente das 7h às 19h, porém, os pacientes começam a ser liberados às 17h para evitar aglomerações. Atendimentos em grupo, tanto para pacientes como para as famílias, continuam suspensos, permanecendo apenas atendimento individual e atividades das oficinas terapêuticas de forma individualizada, com distribuição de álcool gel em toda unidade. 

Também foram intensificados o suporte de limpeza, assim como a orientação quanto aos cuidados de higiene pessoal e uso de máscaras.

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