Serviço de reabilitação do Hospital Aquiles Lisboa devolve funcionalidade para pacientes

Wilson Rogério recebe atendimento no serviço de reabilitação do Hospital Aquiles Lisboa (Foto: Julyane Galvão)

Quando a refeição chega, Wilson Rogério Freitas Lisboa, de 47 anos, não se faz de rogado, mesmo com a dificuldade para segurar a colher, que eventualmente cai. Foi assim quase toda a vida. Ele nunca se deixou abalar pelas incapacidades e sequelas deixadas pela hanseníase, mas confessa que adaptações funcionais fabricadas pelo serviço de reabilitação do Hospital Aquiles Lisboa (HAL) deixaram a vida mais fácil.

“O serviço aqui me ajuda demais. As adaptações facilitam. Tenho um suporte para manusear e apoiar o objeto. É uma praticidade. Antes, tinha que pegar o jeito de cada coisa. A colher caia, agora não cai mais. Promove uma comodidade e ajuda muito no cotidiano”, relata o paciente, que usa adaptações feitas de EVA e velcro para beber líquidos, apoiar talheres, caneta, barbeador e empurrar a cadeira de rodas.

Wilson Rogério nasceu na antiga Colônia do Bonfim, conheceu e conviveu muito cedo com a doença. Foi o único de nove irmãos a pegar o bacilo de Hansen, aos 13 anos. A doença foi curada, mas deixou sequelas – ele não possui mais as mãos e pés. Eventualmente, precisa ser internado para tratar feridas e lesões decorrentes das deformidades. Mesmo assim, não se deixa abalar.

“Quem tem o Mal de Hansen ou outra doença tem tendência à depressão, acha que é inútil. É aí que tem que botar na cabeça que pode fazer as coisas. Tem que seguir a vida, só que com limitações. Tenho dificuldades para abotoar camisa e calça, por isso minhas camisas são fechadas e calças com elástico. São modificações que fazemos de acordo com nossas limitações”, diz.

O serviço de reabilitação do HAL, da Secretaria de Estado da Saúde (SES), acontece em dois níveis: suporte de internação e atendimento ambulatorial. No primeiro caso, é dedicado a atender pacientes da ala de internação, que engloba aqueles com hanseníase ou com sequelas e com outras enfermidades, já que serve de retaguarda para os outros pontos de atenção às urgências de menor complexidade. No ambulatório, os atendimentos são por demanda espontânea.

“Na internação, fazemos a assistência ao leito. Sempre sentamos para discutir os casos com a equipe médica. O objetivo da reabilitação é trazer maior independência e tirar ele do leito o quanto antes, principalmente aqueles que ficam mais tempo restritos ao leito”, explica a terapeuta ocupacional da equipe, Maria Ivonete Santos.

Responsável pela confecção das adaptações, Maria Ivonete Santos conta que todo trabalho é individualizado, pois os pacientes apresentam necessidades diversas, e realizado por equipe multiprofissional formada por terapeuta ocupacional, fisioterapeuta, psicólogo fonoaudiólogo e nutricionista. “Temos pacientes com sequelas e dificuldades para atividades da vida diária e até socializar. Trabalhamos o biopsicossocial”, salienta.

Vendedor no Mercado do Peixe, James Silva Santos, de 56 anos, foi internado na unidade em setembro, após transferência da UPA Itaqui-Bacanga. O diagnóstico era de celulite infecciosa na perna. Iniciado o tratamento, ele passou mais de um mês acamado e desde o início passou a receber assistência de reabilitação da equipe completa.

“Cheguei numa maca e vou sair andando”, diz James Silva Santos (Foto: Julyane Galvão)

“Eu nunca tinha sido internado em hospital na vida. Então, foi um choque vir para cá. Eu pedia até para morrer. Me senti deprimido. Chorava demais. A psicóloga conversou muito comigo. Tive muito apoio de todos. Eu tinha medo de andar, mas depois de muita conversa e apoio, comecei de pouquinho. Está todo mundo no meu coração, foi uma família que ganhei. Cheguei numa maca e vou sair andando”, conta.

Segundo o diretor geral do Hospital Aquiles Lisboa, Raul Fagner, existe um grande investimento do Governo do Maranhão para tornar o atendimento na unidade de excelência. “Temos uma equipe bem completa, com um setor de raio-x e uma sala de reabilitação muito boa. Temos todas as ferramentas necessárias para fazer o atendimento tanto do paciente com hanseníase, seja de outro paciente. Temos um dinamismo grande nesse serviço, fazendo com que o paciente passe por todos os profissionais que precisa. É um serviço completo”, destaca.

Além da produção das adaptações funcionais, o setor de calçados produz peças especiais para pés neuropáticos, ou seja, cujo sistema nervoso periférico (dedos) é alterado, englobando pacientes com hanseníase, com sequelas, diabéticos e com outras condições. As peças são personalizadas e visam garantir equilibro, conforto e permitir a cicatrização de lesões e prevenção de novas.

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