Programa Mais Estágio dá independência financeira e visão de mercado a estudantes

Vytoria Rodrigues Andrade de Souza está mais pronta para definir o futuro (Handson Chagas)

Faz um mês que a rotina de Vytoria Rodrigues Andrade de Souza, 16, ficou um pouco mais corrida. Mas é por um bom motivo. Desde setembro, a estudante combina as aulas regulares no Centro Integrado do Rio Anil (Cintra), onde cursa o 2º ano do Ensino Médio, com o estágio na sede do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) no Maranhão. Vytoria está entre os estudantes cuja entrada no mercado de trabalho se deu por meio do Programa Mais Estágio.

Lançado em agosto deste ano pelo governador Flávio Dino, o Programa Mais Estágio é coordenado pela Secretaria Estadual de Educação (Seduc) e oferece a estudantes do ensino médio regular das redes pública e particular do Maranhão a possibilidade de estágio remunerado em empresas públicas, privadas e em órgãos estaduais.

Cada estagiário tem um responsável técnico na instituição em que trabalha. “O estagiário circula em vários setores e aprende várias funções. É uma oportunidade para ajudar a decidir o que vai fazer da vida, e isso enquanto se qualifica e ganha experiência e autonomia. Esse adolescente vai estar mais preparado para escolher sua futura profissão quando chegar a hora”, explica o secretário adjunto de Programas e Projetos Especiais da Seduc, Ismael Cardoso.

É o caso de Vytoria, para quem a oportunidade no Dnit ajudou a eliminar possibilidades profissionais e reafirmar aptidões. “Aqui é muito importante para conhecer o mercado de trabalho, saber como é o dia a dia de uma profissão. Com certeza agora me sinto mais pronta para escolher o meu futuro. Tenho uma visão melhor do mercado, consigo eliminar algumas áreas de atuação que não eram meu interesse e ter mais certeza da carreira que quero seguir”, garante a estudante, que planeja estudar Design.

Nervosismo e adaptação

Vytoria fez o cadastro e, no mesmo dia, soube da existência da vaga no Dnit. Passou por um processo seletivo e, duas semanas depois, já estava estagiando. Hoje ela tira de letra as obrigações, mas admite que a experiência pareceu um pouco assustadora no começo. “É muita responsabilidade e isso pesa bastante. No começo, eu fiquei muito nervosa, mas as pessoas são muito tranquilas e me ajudaram muito. Com o tempo, fui pegando o jeito e o nervosismo foi passando”, relembra Vytoria. No setor de gestão de pessoas, ela arquiva documentos e auxilia na redação de relatórios e documentos oficiais, como ofícios e memorandos.

A estudante, que mora com a mãe e uma irmã mais nova, também destaca como ponto positivo a independência financeira que veio a partir do estágio. “Minha mãe me dá casa e comida, mas o resto é comigo. Então esta oportunidade é importante também porque ajuda a pagar as minhas coisas, me dá independência, é uma forma de emancipação”, garante.

O desempenho de Vytoria é bem avaliado pelos seus superiores. “Ela tem correspondido muito bem às nossas expectativas. É educada, muito madura e responsável. Tem sido uma experiência muito boa e positiva”, afirma Fernanda Mendes, técnica administrativa do setor de Gestão de Pessoas.

Experiência para a vida

Caio Felipe Santos Pereira, 20, é estudante do 3º ano do Ensino Médio da Escola Modelo, no turno matutino. À tarde, ele é estagiário da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), onde ajuda a preencher formulários e encaminhar documentos. Ele destaca o aprendizado que veio com a oportunidade. “O que aprendi aqui pode até não ser necessariamente algo que vou usar no dia a dia de uma futura profissão. Mas o que a gente aprende no convívio com as pessoas, o que a gente ganha de amadurecimento, a gente vai levar para sempre”, diz o estudante.

‘Acordei para a vida’, diz Caio Felipe Santos Pereira, estudante do Mais Estágio (Handson Chagas)

No passado, a falta de dedicação nos estudos deu prejuízo a Caio: ele reprovou duas vezes, no 1º e no 2º ano do Ensino Médio. Mas desde que começou o estágio na Funasa, muita coisa melhorou. A ocupação foi um divisor de águas e representou, como ele próprio descreve, o fim de uma zona de conforto.

“Desde que comecei aqui, eu sinto que acordei para a vida. Antes eu só ficava em casa, relaxado e aproveitando. Hoje eu estou mais responsável e muito mais dedicado na escola”, garante Caio, que sonha com uma carreira em Engenharia Civil ou Engenharia de Produção. “Sempre gostei muito de Matemática e sonho com isso desde o 5º ano”, afirma.

Com a bolsa de estágio que recebe, Caio também começou a ajudar em casa. Hoje, além de comprar material didático e de higiene pessoal, ele entrega parte do dinheiro para a mãe, que trabalha como diarista. A ajuda é motivo de orgulho na família. “A minha mãe ficou muito feliz. Ela disse que eu era um privilegiado e que deveria aproveitar muito essa oportunidade, e eu pretendo fazer isso. O convívio com as pessoas daqui é algo que vou levar para sempre: são pessoas que me ajudam”, resume.

Estágio de verdade

Para a intermediação entre os estudantes cadastrados no programa e as vagas disponíveis, o Governo do Maranhão firmou termo de cooperação com o Centro de Integração Empresa Escola (CIEE) e o Instituto Euvaldo Lodi (IEL).

É a primeira vez em sete anos que o governo estadual oferece estágio para os estudantes de ensino médio. O programa surgiu a partir de diálogo com o Ministério Público do Trabalho (MPT), em que foram definidos critérios e normas de fiscalização, com o objetivo de garantir o cumprimento da Lei do Estágio.

“Antes, o estágio não cumpria a sua função. O decreto do governador Flávio Dino corrige essa distorção e supera esse problema, garantindo que o estágio seja realizado na forma como preconiza a lei, com benefícios tanto para os estudantes quanto para as empresas”, explica Ismael Cardoso, adjunto da Secretaria de Estado da Educação.

Cardoso destaca, ainda, que o programa tem um comitê de acompanhamento, responsável por observar o desempenho dos estudantes e fiscalizar as condições de trabalho nas empresas, para evitar abusos.

Aprovado pelas empresas

Além dos estudantes, as empresas participantes também avaliam positivamente o Programa Mais Estágio. Para Magnovaldo Santos Sodré, coordenador de administração e finanças do Dnit, o programa tanto ajuda as empresas a cumprirem uma função social, quanto abre oportunidades.

“Sendo uma empresa pública, temos uma função social, e agindo desta forma ajudamos a inserir os jovens no mercado de trabalho. O estágio ensina esses adolescentes a terem responsabilidade, cumprir demandas e prazos. Este programa abre oportunidades e traz experiências de vida que talvez não fossem possíveis de outra forma. É um programa muito bom que, com certeza, auxilia muito no desenvolvimento”, analisou.

Ana Célia Vieira Maia, que acompanha o estágio de Caio Felipe na Funasa, elogia o desempenho do estudante. “Ele pegou o ritmo muito rápido, absorveu todas as orientações que passamos e hoje ele já entende muito bem como o setor funciona. Estes jovens estão tendo uma oportunidade sem igual, estão adquirindo conhecimento e aprendendo a trabalhar. No futuro, quando eles tiverem um emprego, já vão saber como o mercado funciona”.

Como participar

Para participar do Programa Mais Estágio, é preciso ser estudante de Ensino Médio de escola pública ou particular a partir de 16 anos, sendo que os estudantes de escola pública têm preferência nas vagas. É preciso comprovar a matrícula e a frequência regular na escola. O regime de trabalho é de segunda a sexta-feira, de quatro a seis horas por dia, a depender da empresa, e o contrato é de até dois anos.

Mais informações sobre o programa, bem como contatos para inscrição, estão disponíveis no endereço eletrônico http://www.educacao.ma.gov.br/mais-estagio/.