Governo ouve sociedade para construir plano estadual de saúde da população negra

Profissionais de saúde, representantes da sociedade civil e gestores do Governo na Escuta Territorial de São Luís e Rosário. Foto: Divulgação

Profissionais de saúde, gestores públicos, lideranças de movimentos sociais, quilombolas e de matriz africana das regionais de São Luís e Rosário debateram, na quinta-feira (10), no Convento das Mercês, em São Luís, a política de saúde voltada para a população negra.  Essa foi a oitava etapa das Escutas Territoriais promovida pelo Governo do Estado e realizada pelas Secretarias de Estado de Saúde (SES), Igualdade Racial (Seir) e da Mulher (Semu).

As Escutas Territoriais reuniram demandas colhida entre a população maranhense durante as oito etapas realizadas em todas as regiões do Maranhão, com a participação de representantes dos 217 municípios. Foram debatidos aspectos da política de saúde quando foram apresentadas propostas para a elaboração de um plano estadual que visa a prevenção, promoção, proteção e recuperação da saúde da população negra, observando as suas peculiaridades.

“Estamos trabalhando com informações envolvendo saúde e doenças que afetam a população negra de forma que está nascendo uma demanda construída pela população, de baixo pra cima”, afirma José Raimundo dos Santos Aroucha, representante da sociedade civil, que esteve presente em cinco etapas das Escutas. “Acredito que depois dessas escutas, teremos subsídios que garantam um avanço muito grande na saúde da população negra do Maranhão”.

Jacinta Maria, conselheira estadual de saúde, esclarece que algumas doenças são mais incidentes na população afrodescendente. “Por causa de fatores genéticos, biológicos e socioeconômicos históricos, os negros são mais sujeitos a desenvolverem anemia falciforme, doença hipertensiva da gravidez, hipertensão arterial, diabetes mellitus e outras. Por isso, é preciso um olhar diferenciado da saúde pública para os negros”.

Profissionais de saúde, representantes da sociedade civil e gestores do Governo na Escuta Territorial de São Luís e Rosário. Foto: Divulgação

A maior frequência de doenças na população brasileira afrodescendente é, também, influenciada por fatores que incluem o regime de escravatura vivido até o final do século XIX e a posterior situação de exclusão social de grande parcela dessa população, presente até nossos dias. “Daí, a necessidade de promoção do acesso da população aos serviços e ações de saúde observando as particularidades da população negra, com a devida equidade”, observa a conselheira Jacinta Maia.

As Escutas Territoriais ocorreram nas regionais de Itapecuru, Pinheiro, Bacabal, Codó, Imperatriz, Balsas, Presidente Dutra, Rosário e São Luis com a participação do Conselho de Igualdade Racial do Maranhão e do Conselho Estadual de Saúde. As contribuições dos participantes irão compor o Plano estadual de saúde integral da população negra.

A secretária-adjunta de Igualdade Racial, Socorro Guterres, avalia o resultado desse processo como extremamente positivo. “Tivemos escutas qualificadas com a participação efetiva da sociedade civil e do poder público. E ter a sociedade civil como participante desse processo é exercitar, de fato, o que o governador Flávio Dino sempre diz: que esta gestão é um governo de todos e de todas. Desta forma, o Maranhão avança mais uma vez na garantia de direitos para sua população, especialmente a população negra”.

A superintendente de Atenção Primária em Saúde da SES, Silvia Viana, informou que a etapa seguinte será a sistematização das propostas por uma equipe formada pela SES, Seir e Semu para a composição de um documento que ser entregue ao governador Flávio Dino.  “Os próximos passos serão uma avaliação criteriosa das propostas apresentadas pela população e separar essa demanda por eixos para construir a política estadual, com marcos regulatórios, diretrizes e metas. Com estes dados será elaborado o documento oficial com uma política de estado voltada para a saúde integral da população negra”.