Governo oportuniza oficinas de arteterapia a pacientes da Unidade de Acolhimento Estadual

Oficina de arterapia na Unidade de Acolhimento Estadual.: Foto/Julyane Galvão

Jornal, goma, tinta guache, pinceis, adereços e muita criatividade. Foi basicamente o kit de materiais que os pacientes da Unidade de Acolhimento Estadual (UAE) utilizaram para confecção de máscaras carnavalescas, como parte das oficinas terapêuticas que acontecem na unidade gerenciada pela Secretaria de Estado da Saúde (SES).

Para os pacientes em tratamento contra dependência química, atividades artesanais como essa, que teve inicio na última segunda-feira (14) e foi finalizada na manhã dessa quinta-feira (16), auxiliam no processo de inclusão, interação e ressignificação dos pacientes.

A técnica de dobradura em jornal inspirada nas máscaras de fofão foi praticada na Unidade dentro do projeto de Terapia Ocupacional. “A Unidade de Acolhimento Estadual envolve as pessoas em diferentes tipos de tratamento. Esses momentos são importantes para eles e para nós, por ser uma oportunidade de avaliação do diagnóstico e de saber quais as maneiras mais positivas de interferir nos tratamentos”, explicou a terapeuta ocupacional Dácia Almeida.

O arteterapeuta André Lobão participou como voluntário da ação e aponta que além de exercerem sua cidadania cultural, eles enxergam que existem outras possibilidades de vida. “Com o trabalho manual, eles se deparam com suas capacidades de realizar e descobrem que possuem potencial criativo e expressivo”, disse o arteterapeuta.

É algo que, segundo ele, amplia a visão e reflete no distanciamento do álcool e de outras drogas. “Quando a pessoa se envolve com esse trabalho, ela coloca energia psíquica e estimula seu processo cognitivo. Uma cadeia de fatores que contribui para que haja uma fluidificação dos conflitos e auxiliem no tratamento”, pontuou André Lobão.

A oficina aconteceu em três etapas de 3 horas e meia cada. Tempo suficiente para a paciente Keilandia Soares, de 31 anos, relaxar e descobrir os efeitos positivos da atividade. “Eu me sinto mais calma, mais concentrada, mais capaz. Nunca tinha feito algo parecido. Com materiais tão simples consegui fazer essa máscara e não foi difícil, porque tivemos toda ajuda. A partir de agora não vou mais largar essa atividade que me ajudou muito”, afirmou Keilandia, que está há 13 dias na UAE.

Adriano Viana, 30 anos, também participou pela primeira vez de um trabalho manual. “É muito legal você pegar um jornal e transformar em uma coisa bonita assim. Gostei dessa oportunidade que tivemos aqui e até me surpreendi, porque consegui fazer tudo que ele ensinou. Quem organizou está de parabéns”, disse o paciente.

Para o paciente Neudes Sousa, que usou crack por 25 anos, e, desde o ano passado decidiu, de fato, mudar de vida pela família e pelos dois filhos, também foi uma oportunidade de expressar esse desejo de mudança. “Passei dois anos internado no CAPS Estadual e agora estou aqui desde o início do ano, após ter uma recaída. Acho que Deus faz o principal que é nos dar força e essas pessoas ajudam mais a nos fazer descobrir nossas capacidades”, completou.

O material confeccionado pelos pacientes será usado na ornamentação do ‘Baile da Sobriedade’, nesta sexta-feira (17), realizado pela UAE em ocasião que reunirá pacientes e seus familiares em uma manhã de animação ao som das marchinhas tradicionais de carnaval.