Grade curricular ideal deve respeitar diferenças, dizem especialistas de todo o país reunidos pelo Iema

II Seminário Nacional de Educação Profissional e Tecnológica no Maranhão. (Foto: Divulgação)

Qual a grade curricular ideal para o ensino médio no Brasil? Qual disciplina não pode faltar? O que deve ser cada vez mais enfatizado? Em busca de ajuda para responder a essas questões, o Instituto de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (Iema) reuniu na semana passada 12 especialistas de diversos locais do Brasil para falar sobre a Reforma do Ensino Médio e a Educação Profissional.

Todos eles estiveram presentes no o II Seminário Nacional de Educação Profissional e Tecnológica no Maranhão (SNEPT), na capital maranhense.

O IEMA já virou referência no ensino profissionalizante, com diversos prêmios internacionais, apesar de ter começado a funcionar apenas em 2016. No IEMA, os alunos cursam o ensino médio ao mesmo tempo em que aprendem uma profissão.

O debate sobre a grade curricular é importante porque, no ano passado, foi aprovada a reforma do ensino médio no Brasil. Os Estados vêm formando grupos de trabalho para fazer o planejamento da reforma.

Com a reforma, vem a chamada flexibilização do currículo, com a possibilidade de as escolas adotarem disciplinas de modo menos rígido. O processo de implementação deve ter início em 2019.

Diversidade

Um dos consensos durante o encontro foi a necessidade de levar em contas as diversidades culturais, regionais, sociais e econômicas.

“A lei nos possibilitou fazer as mudanças. Como então fazê-las de forma atuante, eficaz e atrativa para esse estudante que procura a conclusão do ensino médio, mas que também tem o interesse em perpassar pela educação técnica e profissionalizante?”, perguntou a diretora de Articulação e Expansão das Redes de Educação Profissional e Tecnológica, do Ministério da Educação, Fernanda Massaro dos Santos.

Para ela, é importante considerar as múltiplas trajetórias na formação do estudante, respeitando suas habilidades e interesses.

De acordo com coordenadora de Currículo e Desenvolvimento Humano da Secretaria de Educação da Bahia, Jurema Oliveira, é preciso levar em conta a realidade de cada região, “respeitando as diversidades culturais e regionais existentes. Aproveitar o que temos na rede, o que já há de inovador e assim replicar os modelos exitosos”.

Para o ex-ministro da Educação Henrique Paim, é fundamental levar em consideração as desigualdades regionais para a reforma do ensino médio.

Reitor do Instituto de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IEMA), Jhonatan Almada, participa da abertura do “II Seminário Nacional de Educação Profissional e Tecnológica”. (Foto: Handson Chagas)

Singularidades

Anna Helena Altenfelder, presidente do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), ressaltou ser “importante pensar que a reforma pretendida no Brasil deve ser para as juventudes, respeitando as singularidades de cada jovem e de cada região”.

Ela destacou que a reforma é um desafio não só para os alunos: “É um mundo novo para os educadores, que terão que estudar, aprender, discutir e refletir. Esse desafio traz uma possibilidade de uma maior interdisciplinaridade e flexibilidade. O grande risco deste novo modelo é não conseguir essa concomitância disciplinar ou voltar ao modelo antigo de ensino”.

O gerente de Desenvolvimento e Soluções do Instituto Unibanco, Alexsandro do Nascimento Santos, concorda: “Para uma reforma do ensino médio de excelência, é necessário investir em vários aspectos, como no caminho docente, na distribuição de carga horária dos professores, na formação docente, na infraestrutura escolar, na expansão de escolas e no financiamento da educação”.

Desafio a ser superado

O reitor do IEMA, Jhonatan Almada, disse que o seminário cumpriu o objetivo: “Conhecemos propostas de implantação, experiências em andamento e conseguimos obter subsídios importantes para que o IEMA também possa realizar sua reforma curricular à luz da nova base nacional comum para o ensino médio integrado à educação profissional”.

Para o governador Flávio Dino, que abriu o evento, “é um grande desafio, contudo, acreditamos que a reforma vai tornar o nosso currículo ainda mais interessante para os nossos estudantes”.

Reitor do Instituto de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IEMA), Jhonatan Almada, participa da abertura do “II Seminário Nacional de Educação Profissional e Tecnológica”. (Foto: Handson Chagas)

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