“A gente precisava muito dessa unidade perto da gente”, diz moradora sobre Hospital de Ortopedia

Novo Hospital de Traumatologia e Ortopedia tem capacidade para 400 cirurgias por mês (Handson Chagas)

“Espero resolver o problema de saúde do meu filho, de forma gratuita e mais rápida.” É assim que Carmosita da Silva Torres, 54 anos, resume a expectativa de muitos maranhenses sobre o novo Hospital de Traumatologia e Ortopedia do Maranhão (HTO), entregue nesta semana pelo governador Flávio Dino em São Luís. Ela é moradora do Jardim Eldorado, mesmo bairro onde fica o hospital.

“A gente precisava muito dessa unidade perto da gente”, acrescenta Carmosita, que busca tratamento de saúde para o filho Maycon David Silva Torres, 27 anos. Após lesão no futebol aos 16 anos, o jogador perdeu a chance de despontar como um talento do esporte maranhense.

1. Carmosita Torres mora no mesmo bairro onde fica o HTO. Foto: Handson Chagas/Secap

“Ele jogava em um time de futebol quando torceu o joelho em Imperatriz. Colocaram um gesso, ele veio para cá e ficou com esse problema”, conta a mãe. “Hoje ele está em casa, com a tomografia feita e outros exames que a gente correu muito para conseguir fazer. Agora, com esse hospital, a gente espera ser atendido por um médico competente.”

Já Estela Cristina Moraes Ferreira, 25 anos, saiu do bairro vizinho Parque Araçagi para conhecer a estrutura do novo hospital. Assim como Carmosita, Estela tem uma história na família de busca por atendimento ortopédico que se arrasta por anos.

A mãe, Maria Bertolina Moraes, 42 anos, machucou a perna em um acidente doméstico e há dois anos aguarda por uma consulta no SUS. “Foi uma luta, a gente nunca que conseguiu se consultar. Então é bom saber que hoje a gente vai ter um hospital que vai servir também para ela”, diz Estela.

Ela acrescenta que a longa fila de espera por tratamento ortopédico na rede pública sempre foi um obstáculo: “Toda vez que a gente vai buscar senha o limite acaba, acabam as vagas. Cheguei ao ponto de dormir no hospital, chegando às cinco horas da tarde para no outro dia ainda não conseguir consulta”.

Fabiano Souza está confiante em um atendimento de qualidade. Foto: Handson Chagas/Secap

“Espero que a nova unidade de saúde facilite resolver o problema da minha mãe. Quanto mais hospitais melhor para nós, porque precisamos”, afirma a jovem.

Acidentes de moto

O técnico em administração Fabiano Souza, 44 anos, faz parte da estatística de acidentados de moto à procura de consulta na rede pública. Pelo menos 70% dos pacientes ortopédicos no Maranhão são por traumas de acidentes de motocicleta.

“Sofri o acidente em 2010 e tenho sequelas até hoje. Espero ser mais bem atendido com esse hospital em frente de casa”, afirma Fabiano, vizinho da nova unidade. “Espero que a comunidade também venha, se empenhe, se informe”, frisa.

“Esse hospital é de suma importância para nossa comunidade, vai ajudar bastante na diminuição dos casos de traumas que nós temos, para desafogar outros hospitais e atender nossas comunidades, principalmente as adjacentes como Vicente Fialho, Recanto Fialho, Vila Cruzado”, finaliza.

Primeiros pacientes
Para Raimunda Vaz Cardoso, 54 anos, é motivo de comemoração ser uma das primeiras pacientes do HTO. Lavradora, ela vem do município de Miranda do Norte, a quase 150 quilômetros de distância da capital, para consultas nos joelhos, que precisam de cirurgia.

Estela Ferreira saiu de um bairro vizinho para conhecer o hospital. Foto: Handson Chagas/Secap

“Tenho um problema nos joelhos e estou quase impossibilitada de andar. Está com mais de cinco anos que eu sofro, e agora eu estou sofrendo dor contínua, todo santo dia é direto, só alivia quando eu tomo antibiótico”, relata.

“Minha expectativa é não precisar mais esperar esse tempo todo e fazer minha cirurgia sem custo nenhum, porque eu não tenho condição. Se eu tivesse condição, eu já tinha feito essa cirurgia há muito tempo”, diz Raimunda, que ao buscar atendimento na rede particular, soube que a cirurgia custaria R$ 30 mil reais.

O Hospital
O HTO é o primeiro hospital público do Maranhão, de alta complexidade, exclusivo para tratamento de casos de ortopedia e trauma. Com corpo clínico especializado e equipamentos de ponta, o hospital também será referência na formação de profissionais, a exemplo do que já acontece no Hospital Ninar.

Com a inauguração da unidade, o Hospital do Câncer e o Hospital de Urgência e Emergência Dr. Clementino Moura (Socorrão II), únicos a realizar cirurgias ortopédicas até então, serão desafogados para atendimento de outras especialidades.

Novo Hospital de Traumatologia e Ortopedia tem capacidade para 400 cirurgias por mês (Handson Chagas)