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Mangabeira Unger defende Amazônia Sustentável no Maranhão

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Por: Silvia Tereza - Secom
Data de Publicação: 23 de maio de 2008
Jackson Lago e o Ministro Mangabeira durante entrevista coletiva - Alta Resolução
Em entrevista coletiva, no Palácio dos Leões, o ministro extraordinário de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, que irá coordenar o Plano Amazônia Sustentável (PAS), disse que os maiores parceiros do projeto são os governadores da região e os contatos já estão sendo feitos nesse sentido. Ele reiterou que o Maranhão será um dos Estados beneficiados, porque está dentro da abrangência da Amazônia e tem potencialidades para gerar desenvolvimento.  


Mangabeira Ungerdisse que o Maranhão é um dos Estados que merece atenção especial porque faz parte dos dois lados da região: Amazônia com floresta e Amazônia sem floresta.  “Além disso, nós temos preocupação com uma política agrícola - que reorganize o desenho institucional de uma agricultura moderna e democratizada. É preciso estruturar a produção para fortalecer os produtores fragilizados. Esses são alguns dos compromissos do governo Lula e já começamos a discutir tudo isso com o Governo do Maranhão”, frisou o ministro.


Segundo Mangabeira, a Amazônia hoje é a grande vanguarda brasileira e não é apenas uma coleção de árvores. Ele lamentou que a atividade econômica desordenada tenha  impulsionado o desmatamento, enfatizou que essa realidade hoje precisa ser mudada  e defendeu a necessidade de uma rede de indústrias  em toda a Amazônia, ao lado de grandes cidades, que transforme produtos florestais madeireiros e não madeireiros; que fabrique tecnologia apropriada ao manejo sustentável e também transforme artigos minerais e agropecuários.


Mangabeira defende que a região amazônica seja ocupada com atividades sustentáveis. Ele entende que se a população não tiver oportunidades econômicas será impelida para ações desordenadas, que levarão ao maior desmatamento da floresta e à destruição do bioma. O ministro também observa que o atual modelo de povoamento, com grandes espaços desocupados, representa um risco à proteção da região.


“Sem projetos econômicos não haverá estruturas produtivas e sociais organizadas. Além disso, uma vasta região sem essas estruturas é difícil de se defender”, ressaltou o ministro. Segundo ele, o país deve também possibilitar a criação de incentivos fiscais para a instalação de “indústrias da floresta”.


Áreas prioritárias do PAS –
O ministro elegeu três áreas como prioritárias: a tentativa de solucionar os problemas fundiários, com o fortalecimento de órgãos como o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), a criação de alternativas ambientais seguras e economicamente viáveis para os pequenos produtores agrícolas e extrativistas e a necessidade de vincular a floresta com a indústria na Amazônia.  


“Precisamos nos unir para construir uma estratégia de desenvolvimento sustentável para as duas Amazônias: a sem floresta e a com floresta. A base comum disso deve ser a solução dos problemas fundiários, de titularidade da terra e um grande zoneamento ecológico e econômico”, enfatizou.


No que classifica como Amazônia sem floresta, ou seja, as áreas já degradadas, o ministro vê a oportunidade para o país desenvolver a região sem repetir os erros de nossa formação histórica. Segundo Mangabeira, há a necessidade urgente de se construir um novo tipo de produção, sobretudo por meio de uma agricultura democratizada e moderna, que associe o Estado aos produtores, em particular, aos pequenos.


Já no que chama de Amazônia com floresta, Mangabeira defende a construção de um regime tributário e regulatório que faça a floresta em pé valer mais que a derrubada. Segundo o ministro, isso exigirá tecnologia apropriada para o manejo da floresta tropical e a organização de serviços ambientais avançados.  Para isso, é necessário que profissionais qualificados se disponham a morar e trabalhar fora das grandes cidades.
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