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Grajaú

Um rio de esperanças numa vida melhor

Início Sangrento

Antonio Francisco Reis e sua família foram os primeiros a se estabelecerem no local, que passou a se chamar Porto da Chapada. Com ele estavam cerca de 40 pessoas. A cidade transformou-se no principal centro comercial da região centro-sul do Estado. Com a chegada dos primeiros habitantes, foram construídas casas de depósito de mantimentos e venda de sal, o que atraiu um número maior de pessoas que fixaram suas residências.

Mas, os nativos que se encontravam na outra parte do Rio Grajaú, entre eles os índios Timbiras, ficaram com ciúmes do progresso da nova povoação e resolveram livrar-se dela e tramaram uma chacina. Período marcante na história de Grajaú. Os índios colocaram fogo em todas as casas e queimaram vivas em torno de 38 pessoas. Destruíram suas embarcações, levaram os mantimentos e queimaram as coisas que não puderam conduzir. De recordação ficaram somente esqueletos espalhados no meio das ruínas solitárias. Conta à história que apenas seis pessoas sobreviveram ao ataque, por estarem fora do povoado.

O Desenvolvimento

O rápido desenvolvimento do local foi incrível. A povoação logo cresceu. Um fato que ajudou foi às imigrações vindas de diversos lugares, além de ter sido um seguro refúgio, principalmente para os políticos perseguidos pelos governos arbitrários da época que encontraram na região um lugar próspero e tranqüilo.

História Marcada por Lutas

Manoel Valentim Fernandes foi o primeiro chefe político da região. Mandou por muitos anos na cidade, na qual monopolizava tudo: currais, armazéns, igreja e até mesmo a povoação. Era dono de tudo. Ninguém era capaz de enfrentá-lo. Até que surgiu um homem forte a fim de contestar o poder de Manoel, chamava-se Militão Bandeira Barros.

Militão, logo de início, ganhou a simpatia de todos, que tornaram seus adeptos, pois era comunicativo e possuía uma sensível cultura, sendo admirado por onde passava. Com o passar dos anos outras lideranças surgiram na abençoada terra. Eis que entra no cenário o maior inimigo de Militão: João Leda. Não só a cidade, mas todo o sertão maranhense, girava em torno desses dois homens que viviam em guerra sem que um conseguisse liquidar o outro.

Origem do Nome

O povoado alcançou a categoria de vila, com o nome Vila do Senhor Bonfim da Chapada, e mais tarde, em 1881, foi elevado à categoria de cidade com a denominação de Grajaú.

O nome tem origem em Guajajaras, tribo que ocupava as margens do rio que banha a cidade. Está formada pelas duas primeiras sílabas do nome guajajaras acrescida de vogal u, que na linguagem dos índios queriam dizer muito. Depois por eufonia, passou a ser chamada de Grajaú.

Localização / Limites

A cidade formada por um conjunto de colinas suaves e clima tropical úmido, fica distante 580 km da capital. Está localizada no sertão maranhense, na microrregião do Alto Mearim e na região ecológica da Pré-Amazônia maranhense.

Com predominância do cerrado, formado por arbustos de casca grossa, galhos retorcidos, associados à vegetação rasteira, possui – segundo o censo 2007 – altura de 130 metros acima do nível do mar, área de 7.408 km² e uma população de 54.135 habitantes.

Limita-se ao Norte com os municípios Arame, Paulo Ramos e Lago da Pedra; ao Leste com Barra do Corda; ao Sul com Fortaleza dos Nogueiras e Estreito; e a Oeste com o Sitio Novo. O município, cercado pelos rios Grajaú e Mearim, é cortado pela BR 226 e cruzado pela MA 026.

Atrativos Naturais

A cidade faz parte da região pré-amazônica, uma grande área de mata cerca o município e com ela muitas nascentes e olho d’águas, que vêm ser afluentes do Rio Grajaú.

Destacando-se as cachoeiras do Morcego e Fumaça (Rio Mearim), cachoeiras do Pesqueiro e a cachoeira do Retiro (Rio Grajaú), que banha a cidade e nasce na serra da Cintra, situada a Oeste do município, com 18 quilômetros por 6 de largura, com a Serra Negra forma o importante Vale do Jaú.

Produção

A produção gira em torno da pecuária e indústria madeireira. O local possui ainda, uma grande riqueza vegetal e mineral em especial o gesso, que fez da cidade de Grajaú o segundo maior pólo gesseiro do país. A pesca é atividade secundária. Já a lavoura é apenas de subsistência.

O Rio Grajaú pede socorro

O Rio Grajaú teve durante toda a sua história uma vida bastante dinâmica. Era um rio que atraia pessoas para o banho e pesca. Hoje, sofre com a depredação e descaso da comunidade, que não valoriza o bem que tem.

O grau de assoreamento do rio em alguns lugares é enorme devido à construção de uma praia na sua margem, além do lixo jogado em seu leito e a derrubada da mata ciliar. O poder público local até tem buscado reparar esses danos provocados ao longo dos anos, impedindo o acesso de carros a sua margem. Outras medidas são os inúmeros projetos encaminhados ao Ministério do Meio Ambiente e Ministério das Cidades, sempre visando à revitalização do Rio Grajaú.

Cartão Postal da Cidade

A Catedral de Nosso Senhor do Bonfim é um santuário construído no ponto mais elevado, sendo visto de qualquer local da cidade. Quando Dom Roberto Colombo, primeiro bispo de Grajaú, tomou posse da prelazia sentiu imediatamente a necessidade de uma catedral que fosse digna e espaçosa. A que tinha na cidade, típica do interior, era simpática, mas modesta. Faleceu anos depois, e não viu seu sonho realizado.

Seu sucessor, Dom Emiliano Lonati realizou esse desejo. A imponência do templo chama a atenção pelo seu conjunto arquitetônico, o som harmonioso dos oito sinos oferece aos ouvidos da comunidade e visitantes um verdadeiro espetáculo. O badalo dos sinos mostra o contentamento dos devotos, que vêem na ação um momento de renovação da fé.

A Grota da Luz

Local de visitas de turistas e peregrinos, a Grota da Luz teve nome em homenagem ao Frei Alberto Beretta, que fez parte da Irmandade dos Frades Capuchinhos de Milão (Itália). Ele se desdobrava numa atividade fervorosa. Conhecido como o médico dos pobres. Viveu em uma época em que no sertão médico era artigo de luxo, pois somente quem tinha dinheiro poderia se tratar na capital.

Foi ele quem construiu o Hospital São Francisco de Assis, que se tornou um lugar procurado por multidões. Era médico cirurgião, ginecologista, oftalmologista, obstetra e muito mais. Quando faleceu deixou um rastro luminoso atrás de si e muitas saudades.

Para manter viva a memória do Frei e da sua caridade para com todos os doentes, os pobres e os necessitados, a diocese de Grajaú fez o prédio e o intitulou “Grota da Luz Frei Alberto Beretta”. Um pequeno museu, onde também funcionam auditórios para exposições e todo o histórico de Frei Alberto, com livros, equipamentos cirúrgicos e fotos.

A Lenda

Conta-se que certa vez, o Frei foi socorrer uma mulher que estava para dar à luz e acabou errando o caminho perdendo-se na chapada, onde ficou três dias antes de ser encontrado pela população, que preocupada e ansiosa havia saído a sua procura.

Dizem que ao entardecer do primeiro dia, após ter vagueado muito na tentativa de encontrar o rumo certo, cansado, com fome e sede parou num lugar perigoso chamado “grota da onça”, onde havia esqueletos de animais e ossadas. Lá se sentou e, apoiado no tronco de uma árvore, entregou-se nas mãos de Deus. Adormeceu! E eis que veio uma luz que o confortou e lhe restabeleceu as forças.
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