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Carutapera

Encanto caboclo na divisa com o pará

“Caru” dos índios Carus, antigos habitantes; e “Tapera” de maloca, moradia. Carutapera é como uma índia amazônica: brejeira, simples e possuidora de uma beleza pura, autêntica e natural. Uma índia 100% “paranhense”!

Chamariz de colonos, pelas suas ricas florestas e jazidas auríferas, Carutapera tem 20.000 habitantes sendo consolidada como povoação em 12 de julho de 1873 e elevada à condição de município no dia 3 junho de 1935.

Falar da história de Carutapera é discorrer sobre as inúmeras alterações dos limites do município e do desmembramento de Turiaçu, não muito distante dali. A extensão do município abrangia até o curso superior do Rio Gurupi, margeando-o e atravessando antigos “mocambos” (comunidades quilombolas), aldeias dos índios ka´apor, tembé e extensas florestas. Hoje, é bem mais reduzido pelos desmembramentos que formaram novos municípios como Centro Novo do Maranhão, Boa Vista do Gurupi, Amapá do Maranhão e Junco do Maranhão.

Antigamente o acesso ao município era feito principalmente através do transporte marítimo, devido às precárias condições das vias terrestres. Atualmente o município também é servido pelo transporte rodoviário através da BR 316 e da MA 206, ambas em boas condições de trafegabilidade e de asfalto. A partir de São Luís, alcançamos a cidade em aproximadamente 5 horas, atravessando a Baía de São Marcos em ferry boat.

Principais Atividades

Eminentemente litorânea e ribeirinha, Carutapera vive da pesca do camarão, lagosta e peixe, boa parte destinada à exportação. No município destacam-se ainda a pecuária e agricultura de subsistência (arroz, milho, mandioca, laranja e banana, entre outros), além do extrativismo vegetal (madeira, juçara, carvão vegetal e lenha).

Localização

Distante da capital, Carutapera fica no extremo oeste do litoral maranhense, em plena APA das Reentrâncias Maranhenses, que se estendem a boa parte do litoral paraense. Localizada bem na foz do Rio Gurupi, o mesmo que limita o Maranhão com o Pará, Carutapera guarda a essência dos dois estados e nos faz evocar o extinto estado do Grão Pará e Maranhão. É importante ressaltar que o Maranhão, embora apresente características do Norte e do Nordeste, tem mais identificação com o Norte, evidenciada pela sua geografia, cultura e história; e Carutapera é uma daquelas cidades maranhenses que reforçam a nossa identidade amazônica.

A cidade limita-se com Amapá do Maranhão, Luis Domingues, a oeste com o estado do Pará e ao norte com o Oceano Atlântico.

Cultura Local

Ao chegar à cidade, é inevitável notar a influência paraense e as particularidades que lhe são inerentes, assim como as semelhanças e afinidades que compartilhamos com esse estado vizinho. O carimbó, ritmo que sempre associamos ao Pará, é dito ser de origem maranhense, justamente do litoral ocidental. As feições puramente indígenas e caboclas da população se distanciam da negritude, a juçara também é conhecida como açaí e a letra “l” no meio das palavras ganha uma sonoridade de “lh” ao estilo paraense.

Ao mesmo tempo, este povo caboclo preserva suas tradições, que também reforçam esse caráter híbrido e interestadual. O tambor de Mina com seus voduns, encantados, pajelanças e Rei Sebastião é cultuado na região, assim como o tambor de crioula resiste em algumas comunidades quilombolas do interior para festejar São Benedito. O cuxá maranhense e o pato no tucupi paraense, juçara (açaí) e todos os pratos do litoral, como torta de camarão e peixadas, são muito apreciados. Do artesanato sobressaem utensílios feitos de palha (buriti, babaçu), madeira, couro, cipó, folha de guarimã, barro e coco. As festas são animadas ora pelas radiolas ou aparelhagens que tocam do reggae ao “melody”. O Bumba-Meu-Boi é praticamente inexistente no município, mas as quadrilhas e grupos de dança que misturam ritmos maranhenses, paraenses e amazonenses (boi-bumbá) como o “Banho de Cheiro” e o “Grupo Revelação”, se revezam nas apresentações das festas juninas.

O festival folclórico de Parintins, no Amazonas, maior festa folclórica da região, é transmitido em canal aberto a todos os estados do Norte. Carutapera, na divisa com o Pará, assiste ao espetáculo da ilha Tupinambarana (onde fica Parintins) e se rendeu ao ritmo do Boi Bumbá, ironicamente resultado da adaptação e recriação do bumba-meu-boi maranhense em terras amazonenses, e criou o grupo “Maranhão Amazônico Astro Radiante Boi Bumbá”, que é uma mini-produção da festa de Parintins e se apresenta todos os anos no São João. Ainda que seja uma cópia, o grupo exalta as belezas e cultura do próprio município e os brincantes têm um bailado que mistura passos dos Bumbas das duas ilhas (Parintins-AM e São Luís-MA).

Arquitetura

Uma construção chama atenção na cidade: a igreja de São Sebastião (a Matriz) é o principal cartão postal. Imponente, ela é epicentro da festa do Santo do mesmo nome, que acontece de 11 a 20 de janeiro e atrai visitantes de todos os lados. Essa festa é o destaque no calendário festivo, cultural e turístico da cidade.

Litoral


Dos dois cais descortina-se uma paisagem típica do litoral amazônico maranhense: manguezais exuberantes, coloridas embarcações artesanais de vários tamanhos, pescadores, furos e a foz do rio principal. De lá saem barcos para outras cidades maranhenses e paraenses assim como para as belezas do litoral carutaperense.

O litoral do município ainda guarda belos recantos quase intocados e desconhecidos pela maior parte da população maranhense.

Recentemente, inserida no Pólo Turístico Floresta dos Guarás, Carutapera ainda carece de infra-estrutura, melhores acessos aos atrativos, facilidades e todos os serviços indispensáveis para receber e atender melhor às necessidades e expectativas do turista, com poucas exceções. Por outro lado, há potencial de sobra: a costa carutaperense não foge às características principais da Floresta dos Guarás: ilhas, baías, manguezais exuberantes, guarás e outros pássaros, praias semi-desertas, pesca, povoados de pescadores, embarcações artesanais e lendas; atrativos esses que possuem apelos suficientes para a realização e implementação das atividades de turismo ecológico, pesca, praia e cultural.

Em se tratando de praias, revelam-se as de São Pedro, São João, Sardinha, Jucal e outras. Todas estão ao alcance de aproximadamente 1h30 de barco e todas são semi-desertas, rústicas e apresentam areias brancas e finas e um mar limpo e morno. O município possui em seu litoral várias ilhas, nas quais se destacam: Jaboti, Dezoito, Sapeca, Fora e Laranjal, todas distantes da sede a cerca de 1 km, com exceção da Ilha de Fora, distante cerca de 6 km.

A misteriosa Pedra do Gurupi e o Campo do Maracaçoeira destacam-se como as duas maiores atrações paisagísticas do Município. A Pedra do Gurupi fica em pleno mar aberto, com uma altura correspondente a 40 metros. O Campo de Maracaçoeira é um local com a presença de lagos piscosos, muitas ilhas e uma rica fauna.

Fora do litoral, o município já perdeu suas florestas primárias, devastadas pela forte ocupação rural, atividades agropecuárias e substituídas por matas em regeneração e babaçuais.

Há profusão de juçarais (açaizais) e igarapés para banho e existem ainda os rios do Prata, Mateus, São Gonçalo e Lagoa do Apolônio.

Conta também com o Bosque Santa Rosselo, um pequeno parque florestal bem na entrada da cidade, com trilhas para fazer caminhadas. Nas imediações da MA 206, um novo empreendimento de lazer tem chamado a atenção dos visitantes, o balneário Jader Dias. No amplo espaço do balneário há uma bonita lagoa onde é possível o banho, fazer canoagem, passear de caiaque e pedalinhos; dois tobogans, chuveiros, mesinhas com cadeiras nas margens da lagoa e estrutura de bar flutuante, armário e banheiros.

Projetos

Dentre os planos e projetos que estão sendo desenvolvidos para o município e região está a implantação da Rodovia Translitorânea, que apresentará um traçado ao longo de todo o litoral ocidental maranhense e continuará pelo “Salgado” paraense, integrando-os através da construção de uma ponte sobre o Rio Gurupi, articulando e aproximando assim Carutapera às demais atrações do litoral de ambos estados e às respectivas capitais.

Fonte: http://www.jornalcazumba.com.br/
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