Vargem Grande
A flor do iguará
Foi em Vargem Grande que teve início a famosa Revolta da Balaiada no século XIX. Tornou-se grande produtora de algodão, principal produto de exportação maranhense no passado. E tem como referência a história do vaqueiro, Raimundo Nonato dos Mulundus, para o povo um santo, venerado por muitos moradores.
Localização
Distante mais de 170 km de São Luís, Vargem Grande, que abriga o riacho Iguará e os Rios Preto e Munim, representa fielmente a transição dos biomas que fazem do Maranhão um Estado diferente dos demais – geograficamente falando –, pois comporta amostras da pré-amazônia, do cerrado e da caatinga, além de abrigar em quase toda a sua extensão os babaçuais que formam a Mata dos Cocais. O município possui área de 2.114Km² e população de quase 35.000 mil habitantes, sendo que a metade vive na cidade e a outra metade no interior.
Economia
A economia é fundada basicamente na agropecuária e os produtos de destaque são: arroz, feijão, milho e mandioca. O rebanho mais importante é o bovino (com mais de 10 mil cabeças). A extração da amêndoa do babaçu também é uma importante fonte de renda para parte da população.
História
A antiga Vila da Manga do Iguará, hoje com o nome de Nina Rodrigues, em meados do século XIX, era distrito de Vargem Grande e foi lá que nasceu a revolta da Baliada, que contou com a participação de Raimundo Gomes, Negro Cosme e Francisco dos Anjos, “o Balaio”. O desfecho, como é de domínio geral, deu-se em Caxias com a derrota dos revoltosos. Também faz parte da história vargem-grandense a vida do vaqueiro Raimundo Nonato, do povoado conhecido por Mulundus. São Raimundo, como é chamado em todo o Maranhão o santo padroeiro dos vaqueiros, atualmente é cultuado na Igreja matriz da cidade.
Personalidades
Vargem Grande é a terra de pessoas importantes e conhecidas no Maranhão, no Brasil – e algumas até no exterior – como Raimundo Nina Rodrigues, que era o criador da Antropologia Criminal Brasileiro e Patrono da Academia Maranhense de Letras; Hemetério Araújo Leitão, poeta e membro da Academia Maranhense de Letras; Fleury Gama, considerado um dos maiores escultores do Brasil, algumas de suas obras são: o Busto de Maria Firmina, a Estátua de Estácio de Sá e a máscara de Getúlio Vargas, Gama possui esculturas até na França; Josué de Souza Montello, romancista, poeta, teatrólogo e membro da Academia Brasileira de Letras; Saul Nina Rodrigues, advogado e membro da Academia Maranhense de Letras.
Na política o estaque fica por conta do jornalista e deputado Kleber Leite que foi eleito pela primeira vez no fim da década de 60, um dos deputados mais votados do Maranhão, e à época escreveu o livro “Terra de ninguém”, além de ter sido proprietário dos jornais “A tribuna” e “A chibata”.
A população vargem-grandense, na sua maioria, é formada por pessoas simples e que conserva o ar provinciano da localidade e a hospitalidade, por extensão, é marca registrada dos moradores. As diversões dos moradores da cidade vão desde a simples reunião na praça da matriz até as festas nos clubes de dança. Outro passatempo, principalmente dos mais experientes, é falar de política.
Festas
O município tem história, cultura e natureza. São Raimundo é sem dúvida o grande atrativo da cidade. No mês de janeiro é realizado o festejo de São Sebastião – que dá nome à Igreja matriz, mas é só até aí, porque depois disto, o restante é só de São Raimundo. Chega agosto e a cidade “pega fogo”, é visitante de todos os lugares, inclusive do exterior. O 22 de agosto é uma celebração só, a romaria até o povoado Paulica já faz parte da tradição da cidade. A BR 222, que dá acesso à cidade, fica interditada pela Polícia Rodoviária Federal enquanto a “imagem do santo” não chega ao seu destino. Os dias 30 e 31 não são diferentes, a cidade fica um alvoroço, mas a agitação faz parte do evento, tudo de forma organizada.
