Alcântara
Patrimônio Histórico Nacional que busca a consolidação do turismo
Mais de 350 anos se passaram desde o surgimento da aldeia de índios (Tapuitapera) à histórica Alcântara. Os costumes da cidade, que ficou famosa pela promessa de visita do Imperador Dom Pedro II, surgiram da mistura de raças. De um lado, a aristocracia branca instalada em imponentes casarões datados do século XVIII, do outro os serviçais negros, cuja influência é notória na cultura do município (são mais de 250 comunidades remanescentes de quilombos), além da contribuição do índio com o surgimento da aldeia, ainda no século XVII.
Alcântara é conhecida nacionalmente como Patrimônio Histórico Nacional, desde a década de 40. A riqueza arquitetônica e os costumes de sua gente são os atrativos turísticos mais divulgados daquele pedaço de continente. A aproximação com São Luís, apenas uma hora de barco, levou à prática de um turismo “bate-volta”, ou seja, o visitante chega pela manhã, passeia somente pelo centro histórico e retorna à tarde. Desestimular tal prática tem sido o principal desafio da Administração Municipal e de empresariado instalado em Alcântara.
Além do patrimônio arquitetônico, Alcântara oferece atrativos que se encaixam no Ecoturismo. É o caso das “Trilhas na Lama”, ou Siriguejo, onde o turista se aventura por uma caminhada nas raízes do mangue, buscando o equilíbrio e gastando calorias. Uma caminhada de aproximadamente 20 minutos na lama equivale a quase uma hora em calçadão liso. O ponto de partida deste inovador esporte é a Pousada Bela Vista.
Aos mais corajosos, ainda na Bela Vista, um mirante foi construído para apreciar a vista para o mar, mas do terraço é possível ter um visão completa do belo cenário. E quem pensou que nada mais de diferente pudesse encontrar... Eis que surgem as “casas nas árvores”. Isso mesmo, são quatro pequenos chalés construídos em cima dos cajueiros. A matéria-prima utilizada foi o talo do buriti, no interior encontra-se uma rede, cama de solteiro, ventilador e iluminação. Um ambiente diferente para os aventureiros que visitam Alcântara.
Praias exóticas e desertas são atrativos também do município; Vista Alegre, distante 40 km da sede do município, praia de Itatinga, cujo acesso é possível somente através de canoa, o passeio a Ilha do Cajual para um inesquecível pôr-do-sol, a revoada dos guarás (ave típica da região que devido a alimentação ser a base de mariscos tem uma cor de vermelho intenso). Na ilha é desenvolvido também um trabalho de pesquisa sobre fóssil de dinossauros pela Universidade Federal do Maranhão. São aproximadamente 25 minutos de travessia, saindo de Alcântara em catamarã.
Comunidades Quilombolas
Outro atrativo para o visitante é a visita às comunidades remanescentes de quilombos. São mais de 250 comunidades reconhecidas no município e a mais famosa é a comunidade de Itamatatiua, distrito do município de Alcântara onde se chega de carro em cerca de uma hora. Com pouco mais de 300 habitantes, possui 105 construções, escolas e posto de saúde próximo.
Como outros povoados da região, sobrevive da roça, da criação de animais domésticos, de plantações caseiras e da extração de mangue (soró), transformado em carvão para uso próprio e comercial. Sua particularidade econômica é a produção sistemática de artefatos de barro utilizados pela própria comunidade e comercializados nos sítios próximos, em outros municípios e em São Luís, por atravessadores. Sua peculiaridade histórico-cultural é ser uma terra de pretos e de santo, estabelecida em posses da Igreja: Itamatatiua de Santa Tereza.
Não se sabe ao certo quando a comunidade começou a produzir utensílios de barro e muitos dizem que "foi uma bênção da Santa no tempo dos mais antigos". Certo é que essa atividade é comunitária e familiar, promovendo a união do grupo. As crianças praticamente nascem no meio do barro. Cedo ajudam as mulheres na fabricação da louça e aprendem a fazer seus próprios brinquedos. A argila na região é de cor escura e "buscada no meio da lama". As mulheres abrem os barreiros e separam o barro. Os homens o transportam para o sítio, em cofos carregados: no lombo de animais, no pau de carga ou na cabeça, onde é colocado nas barracas próximas às olarias ou à casa das louceiras. Aí o barro é limpo, molhado, misturado com areia branca passada em peneira de guarimã e amassada com os pés "para fazer a liga e formar a massa" que as habilidosas mãos artesãs transformam em potes, panelas, pratos, alguidares, bilhas, canecos, jarros etc. Essas peças, depois de postas para secar à sombra, são "assadas" em fornos à lenha. Aos homens cabe a fabricação de telhas e tijolos que obedece ao mesmo processo.
Turismo Aeroespacial
A partir da segunda metade do século XX, o município de Alcântara passou por uma série de situações com as quais a população não estava acostumada. A instalação do Centro de Lançamentos Aero-Espaciais (CLA), nos anos 80, acabou por definir novas regras, mesmo para as áreas relocadas ou diretamente atingidas.
Por causa de sua localização geográfica, a pequena cidade que fica a 22 quilômetros de São Luís é um dos melhores pontos do planeta para lançar satélites e foguetes para o espaço. A apenas 2 graus da linha do Equador, os lançamentos feitos a partir de Alcântara têm economia de até 30 por cento de combustível, além de permitir a colocação dos satélites em órbitas distintas.
Em 2007, o CLA passou a fazer parte do roteiro turístico de Alcântara e abriu suas portas aos visitantes. Uma área reservada que inclui o setor o Radar, Meteorologia e Telemedidas podem ser visitadas. Com duas décadas instalada em Alcântara, o CLA, com esta iniciativa, tenta participar um pouco mais do cotidiano dos moradores do município.
