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Cojuntura Maranhense

SILVICULTURA – UMA POUCO EXPLORADA E PROMISSORA ALTERNATIVA PARA O PEQUENO PRODUTOR RURAL



*Prof. Miguel Roeder

Silvicultura – cultura de florestas – é uma atividade ainda pouco conhecida no Estado do Maranhão. Entretanto, esta realidade está em oposição às imensas potencialidades existentes. Por um lado, a viabilidade técnica para cultura de eucalipto e outras essências florestais já foi largamente demonstrada graças aos trabalhos de pesquisa, de grande alcance, realizados por empresas privadas em território maranhense, tais como por exemplo a Vale do Rio Doce e a Companhia Suzano.

A cultura florestal apresenta inúmeras vantagens para o produtor, de qualquer porte, inclusive o micro-produtor assentado em função de programas oficiais. Dentre essas vantagens, podem ser citadas a capacidade dessas essências ocuparem solos degradados, oferecerem proteção contra a sua erosão, proporcionarem néctar e pólen de grande utilidade para insetos úteis, tais como as abelhas, tanto as indígenas como as africanizadas, fornecerem matéria prima altamente demandada por siderúrgicas, olarias padarias e outros segmentos, proporcionarem aproximadamente 3 cortes em escala econômica ao longo de sua vida útil, proporcionarem oportunidades de trabalho e gerarem renda, dentre outras.

Infelizmente, existem aspectos que apesar de errados, tem sido explorados por parte de alguns segmentos que podem ser considerados mal-informados ou, em alguns poucos casos, retrógrados. Por exemplo, tem sido largamente difundido que o eucalipto é uma planta negativa, indesejável, porque é exótica, e não nativa. Ora, na biologia, na área econômica em geral, a “nacionalidade” de um vegetal não tem a menor importância, senão quase todos os produtos de origem vegetal produzidos no Brasil teriam que receber tratamento igual, pois também derivam de plantas exóticas, como por exemplo o arroz, o milho, a cana, a laranja, a banana e tantas outras. Claro que aspectos de ordem fitossanitária e outros precisam ser observados, pois são práticas obrigatórias na Agronomia, mas nada contra a origem nacional das espécies. Outros, afirmam que o eucalipto seca o solo, mas trata-se de uma crendice sem qualquer fundamento, pois, para produzir 1 kg de madeira, o eucalipto consome 350 litros de água, enquanto que para produzir 1 kg de grãos, o milho consome 1.000 litros. Percebe-se que acontece exatamente o contrário do que falsamente é propalado por alguns. Por outro lado, o moderno cultivo de 1 hectare de milho, demanda 1.200 kg de nutrientes, enquanto que em igual área, o eucalipto requer apenas 650 kg (dados publicados pela revista Veja de 12/04/2006, pág.40, compilando informações publicadas pelas Universidades de Viçosa, Paraná, Unicamp e Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais). Estes poucos e simples exemplos, científicamente determinados e comprovados, são significativos.

Aliás, por ser planta que funciona como protetora do solo contra a deletéria ação da erosão, a cultura do eucalipto acaba por facilitar a infiltração de água, contribuindo assim para aumentar as reservas subterrâneas deste líquido, a exemplo daquilo que ocorre nas culturas perenes de um modo geral e em todas as outras manejadas de sorte a controlar a erosão. Sempre é bom lembrar que a água infiltrada promove a recarga da água subterrânea, além de não escorrer pela superfície do solo causando danos e perdendo-se no final do processo. Estes pontos positivos, “mutatis mutandis”, aplicam-se também a outras culturas florestais, tais como teca, sabiá, nim indiano, e muitas outras espécies.

Existe em todo o mundo – incluindo-se também o Brasil e o Maranhão – crescente movimentação no sentido de preservar ambientes naturais, o que significa controlar e impedir a crescente pressão antrópica sobre a vegetação nativa. Este controle tem trazido, no primitivo meio rural, algumas dificuldades, embaraços, prejuízos e outros desconfortos àqueles que exploram os ecossistemas naturais para obtenção de madeira para construções rurais e urbanas, confecção de cercas divisórias externas e internas nos estabelecimentos rurais, fornecimento de lenha para cerâmicas e olarias, produção de carvão para siderúrgicas ou outras finalidades, fornecimento de madeira para fabricação de móveis, fornecimento de madeira para produção de peças artesanais variadas, etc.

Nesse sentido, uma das interessantes alternativas à disposição de tantos quantos se interessam em diversificar seu ramo de atividades de maneira econômica e ambientalmente favorável, pode ser encontrada na cultura do eucalipto.

Esta cultura pode ser facilmente introduzida nas pequenas propriedades familiares, praticamente sem custos adicionais, se for adotada a prática de serem plantadas as mudas na plantação tradicionalmente feita pelos agricultores, juntamente com o plantio da mandioca ou logo após a primeira capina. Posteriormente, na colheita, procede-se a uma roçada baixa e repetindo-se este último procedimento uma ou duas vezes ao longo dos próximos dois ou três anos, estará implantada com sucesso a nova cultura. Aliás, por volta do terceiro ano, o desbaste praticado (eliminação do excesso de plantas de sorte a manter o compasso final aproximado de 2,5m x 2,5m) já permite uma colheita de lenha, apropriada para muitas atividades, principalmente as de padaria e cerâmica.

Aos produtores rurais maranhenses caberá examinar em maior profundidade a sugestão ora apresentada, que é de interesse estratégico do Estado, por proporcionar ao longo do tempo, emprego, renda, diversificação de culturas, e proteção ambiental, tudo a um só tempo.



*Miguel Roeder é Engenheiro Agrônomo, M.Sci., Professor Titular da UEMA. Atualmente é Secretário de Estado de Assuntos Estratégicos.
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