Durante este período, os trabalhos foram interrompidos por falta de verbas. Mas a equipe da Praia Grande disso se aproveitou para se dedicar a uma atividade intensa de estudos e de pesquisas.
Foi assim que foram descobertos em 1982 os 166 volumes dos "Livros da Câmara de São Luís" (arquivos do Conselho Municipal) de 1646 a 1900, considerados perdidos. A restauração, a microfilmagem e a transcrição de mais de 28.000 páginas foram realizadas, constituíndo-se a mais importante fonte de que se dispõe sobre a história da cidade.
Ao mesmo tempo, o projeto "Embarcações do Maranhão" permitiu a guarda das técnicas tradicionais de construção naval artesanal do Maranhão. Pesquisas no "Sítio do Físico" contribuíram para que fosse melhor conhecido esse conjunto de ruínas do primeiro grande estabelecimento industrial do Maranhão (1798), onde o "Físico-mor" (na qualidade de médico), Antônio da Silva Pereira, dedicava-se à experiência de fabricação de couro e de pó. Pelo decreto estadual de 6 de março de 1986, uma zona de 160 hectares, envolvendo e completando a zona tombada pelo SPHAN, foi também tombada pelo Estado do Maranhão. No mesmo ano foi instituída uma Comissão do Patrimônio Histórico de São Luís, composta por responsáveis da segunda Diretoria Regional do SPHAN, do Departamento do Patrimônio Histórico, Artístico e Paisagístico do Estado do Maranhão e da Secretaria Municipal de Urbanismo. Esta comissão é encarregada de analisar e de coordenar os projetos de intervenção no Centro Histórico. Ainda no mesmo ano, a equipe do Projeto Praia Grande, a partir da experiência adquirida desde 1979, redige o Programa de Preservação e Revitalização do Centro Histórico de São Luís, que é originário do atual programa de intervenção.
Por sua vez, o arquiteto Olavo Pereira da Silva publica em seu livro "Arquitetura Luso- Brasileira no Maranhão" (1986), resultado de suas perseverantes pesquisas.
No ano seguinte, é publicado pelo governo do Estado um livro contendo o inventário dos Bens Tombados no Maranhão - Tombamentos Estaduais. Em agosto, o SPHAN começa o inventário sistemático de todos os imóveis situados no Centro Histórico, que daria bases sólidas aos projetos de restauração.