
Em razão das dimensões do Centro Histórico (250 hectares, com mais de 3.500 prédios) e da inexistência de recursos para o tratamento imediato do conjunto como um todo, a zona da Praia Grande "stricto senso" (Praça do Comércio, Feira Grande e vizinhança) foi escolhida como sendo aquela que, pela sua significação e suas tradições, representa em todos os seus aspectos as características marcantes do Centro Histórico.
Esta zona possui atividades comerciais, institucionais, portuárias, serviços administrativos. Residências em estilo colonial, ruelas e escadarias, ruas calçadas com velhas pedras portuguesas, por onde circulam tipos populares e ocorrem encontros folclóricos, são o palco de uma história rica, digna de atenção e de estudos.
Em outubro de 1979, conforme parecer de Aluísio Magalhães - então presidente do SPHAN - o governador convocou uma Convenção Nacional da Praia Grande, reunindo os melhores especialistas brasileiros do Patrimônio para estudar o projeto de preservação e de restauração proposto por John Gisiger, cuja capacidade técnica, aliada às preocupações sociais, foram o ponto de partida e o exemplo de interesse e de novas reflexões.
Os participantes da Convenção sugeriram a criação de uma Comissão de coordenação dos projetos, que foram instituídos por decreto estadual nº 7.435 de 16 de novembro de 1979. De sua parte, o SPHAN instalava em São Luís, no começo de 1980, a Segunda direção regional (hoje terceira coordenadoria regional).
Em junho de 1980, foi oficialmente constituído o grupo de trabalho do Projeto Praia Grande, sob a direção do arquiteto Ronald de Almeida Silva, do engenheiro Luíz Phelipe Andrès e do arquiteto John Gisiger, com representantes do Estado, da Prefeitura e da Universidade Federal do Maranhão.
Após dezoito meses de estudos preparatórios, em agosto de 1980, o "Programa de Obras do Largo do Comércio" (orçamento de um milhão de dólares) foi oficialmente lançado e os trabalhos de restauração começaram pela recuperação do Mercado Coberto (Feira da Praia Grande), da Praça do Comércio, do Albergue e do Beco da Prensa. O orçamento total cresceu para 2,5 milhões de dólares.
Os projetos foram elaborados pelo grupo de trabalho, mas os usuários e os representantes da comunidade local, como os sindicatos dos vendedores de São Luís, dos remadores, dos contramestres e de outras ocupações participaram de maneira ativa na sua preparação e realização. Reuniões e debates populares permitiram ampla consulta e participação nesses projetos assim como aprovação das soluções adotadas.
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