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O Desenvolvimento da Capital Marítima

A função de São Luís sempre foi mais política do que econômica. Sede do governo do Estado - "Estado do Maranhão" desde 1621 até o fim do século XVIII e "Província do Maranhão" sob o Império (1822-1889) - a cidade de São Luís, que possui o melhor porto de águas profundas de toda a costa Norte até a foz do Amazonas, garantiu pouco a pouco o papel de núcleo centralizador e diligente, tornando-se o centro de um rico "hinterland".

O traçado ortogonal, quase hipodâmico, imposto por Francisco de Frias de Mesquita (que teria conhecido as teorias urbanas da Antiguidade) criou um padrão ao mesmo tempo rígido e flexível, suficientemente adaptável para absorver o crescimento da cidade durante mais de 350 anos, até a construção, em 1970, da ponte José Sarney, que permitiu a expansão de novas zonas residenciais e terciárias (São Francisco), em direção às praias.

A largura constante das ruas, a localização das praças e dos "largos", a importância dos cantos de rua outorgaram a São Luís o caráter de urbanidade de uma verdadeira capital.

Aquela imagem utópica traçada em 1615 estabeleceu um modelo de instalação urbana em terras equatoriais, ao qual a História se encarregou de dar um conteúdo. Enquanto capital, sede do poder, ela adquiriu uma atmosfera ímpar. Vivendo, de certo modo, à margem do resto do Estado, São Luís fica em contato estreito com a Europa (Lisboa é mais perto do que o Rio de Janeiro) graças à facilidade de navegação. Foi o comércio - principalmente desde a época do Marquês de Pombal, como demonstrou o Prof. Jerônimo Viveiros - que formou esta fisionomia típica de grande cidade marítima cosmopolita, mais estreitamente ligada às atividades do oceano do que às da terra.

Por volta do fim do século XVII, surge o primeiro desenvolvimento, promovido pelo governo real. Face ao dinamismo dos colonos, aprisionados entre o monopolismo do Estado e constantes conflitos com índios e missionários, a Coroa toma decisão de grandes iniciativas. Uma diocese do Maranhão é criada (1677), assim como uma academia politécnica (a Aula de Fortificação, 1698) e a cidade cresce. Na "acrópole" aterrada do antigo forte francês, ampliada em fortaleza abalaustrada em plano triangular (1630), são edificados o Palácio (bastante modernizado em 1762 pelo governador Melo e Póvoas, sobrinho do Marquês de Pombal, que o ornamentou adotando o estilo neoclássico no "Palácio dos Leões") e a sede do governo municipal, cuja estrutura original de 1685 continua visível nos adornos do Palácio de La Ravardière, o "Hotel de Ville".

Em frente, a catedral, construída em 1718 com planejamento do padre-artista luxemburguês João Filipe Bettendorf (1690), é uma magnífica edificação no estilo clássico jesuítico, com uma única nave e sacrário ao fundo, muito modificado em seguida, onde sempre brilha a obra-prima de talha dourada: o painel do altar-mor concebido pelo escultor Manuel Manso em 1693, o único em "estilo nacional" (1675-1720) que subsiste intacto no Brasil.

Desde a expulsão dos jesuítas em 1760, passou a ser a Catedral Metropolitana.

O primeiro bispo, vindo em 1679, trazia consigo objetos valiosos ofertados pelo próprio Rei, dos quais resta um único conjunto de vasos de prata maciça datados de 1683. O maior, para os santos óleos, pesa mais de 13 quilos, somente comparável aos das catedrais de Lisboa e do Porto. Trouxe ainda uma série de quadros da via-sacra de grande dimensão (1,40 m x 84 cm), com cenas da Paixão de Cristo para as cerimônias da Semana Santa e de Corpus Christi, pintadas sobre cobre por volta de 1700 pelo pintor do rei, Bento Coelho da Silveira (1648-1708). Trata-se de uma réplica da série dos "Passos da Graça" (as estações da Paixão) da célebre confraria da Igreja Nossa Senhora da Graça, em Lisboa, presidida pelo próprio Rei.

A Coroa fazia, pois, um esforço para manter São Luís em contato direto com o centro do Império, criando uma imagem de capital rica com obras de arte, que constituem um acervo artístico da mais alta qualidade, único no Brasil, tanto pela data precoce quanto pelo seu caráter oficial.

Este interesse foi perseguido pelo Marquês de Pombal (1755-77), primeiro-ministro esclarecido, com sua política mercantilista, que favorecia a produção industrializada de algodão e arroz. A mais antiga casa comercial, datada de 1756, no Largo do Carmo, pertencia a seu amigo Laurent Belfort, um capitalista irlandês que introduziu maquinário agrícola nos arrozais, para a exportação. A cidade beneficiada por sistemas de canalização e de esgotos, por belas fontes e por ruas calçadas, tomava um ar moderno e colorido: uma nova Lisboa no Equador!

Em 1780, quando a Praia Grande tornava-se o bairro portuário por excelência, o governo português ordenou a criação de uma "praça permanente" em frente ao mar, à maneira das praças régias das Lumières, com o nome de Praça do Comércio. Pode-se hoje ver ainda no prédio que a domina uma enorme pintura mural (2,0x0,80m), recentemente redescoberta e restaurada, que representa a famosa Praça do Comércio pombalina de Lisboa, de 1756, que, do outro lado do mar, fecha simbolicamente sua perspectiva - como se São Luís fosse o espelho colonial da capital metropolitana.

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