Fonte das Pedras

Muitos são os que louvaram sem reservas a pureza e abundância de nossas águas. Entre eles, Claude d'Abbeville, admirado de quanto eram saudáveis e boas, e Simão Estácio da Silveira, que, além de achá-las puras e claras, atestou-lhes propriedades medicinais de grande eficácia contra febres, "destemperamentos e outras doenças".
A existência de fontes na Cidade foi fundamental no abastecimento da população. Muitas casas tinham poços particulares. Alguns se prestavam a serventia de dois ou mais vizinhos. Mesmo assim havia necessidade de outros meios de suprimento. Precisava-se de água para abastecer as embarcações, para construir e para atender a inúmeras necessidades públicas e particulares. Onde havia boas nascentes, foram surgindo as fontes públicas.

Em 31 de outubro de 1615, Jerônimo de Albuquerque, na memorável luta pela expulsão dos franceses, acampou com suas tropas, cumprindo ordens de Alexandre de Moura, junto à nascente que também iria servir de suprimento aos holandeses, quando injustamente possuíram a Cidade (1641-43), no dizer do Padre José de Moraes. Ainda, conforme esse cronista, coube aos prepostos de Nassau a primeira construção da fonte, obra "excelente e bem fundada".
De frente para a Rua de São João e ladeada pelos aclives que iniciam as ruas do Mocambo e da Inveja, a Fonte das Pedras é um quadrilátero murado, cujos fundos confrontam com os da antiga Fábrica Santa Amélia. Aí estão suas nascentes, canalizadas para vertedouros sob a forma de carrancas.
A Fonte das Pedras é um espaço amplo, arborizado e com alguns bancos simples, mas aprazíveis. Coube ao Governador Silveira e ao Coronel-Engenheiro Pereira do Lago, o ordenador e o executor das obras, dar à Fonte das Pedras as características que ainda hoje tem: frontão de alvenaria, calçamento, galerias subterrâneas, bicas e carrancas. Tudo no melhor estilo colonial português, como indicado logo no portão de entrada, por um escudo de bronze com as lusitaníssimas cinco quinas.
Fonte do Ribeirão

Situada entre as ruas dos Afogados e das Barrocas, com lateral para a Rua do Ribeirão, em área correspondente ao antigo Sítio do Ribeirão, depois Largo do Ribeirão, a Fonte representa estimável herança da arquitetura colonial.
Inserida num vasto pátio revestido com pedras de cantaria, é protegida por paredões em alvenaria. Ao fundo, sua fachada é delineada por grande quadro, ladeado por duas pilastras ornadas com frisos e encimadas por coruchéus. Estas pilastras apoiam um entablamento encimado por frontão decorado com símbolos pagãos e cristãos, contendo, no topo, uma estátua de Netuno, em pedra. Abaixo, situam-se três janelas gradeadas de ferro, dando acesso às galerias e, na base, uma série de carrancas de pedra com biqueiras de bronze, através das quais as águas são canalizadas, caindo em tanques lajeados. Daí, por uma espécie de rego, ao longo de pátio, escoam em direção à antiga Praia do Caju.
As galerias subterrâneas são o ponto alto da fonte. Segundo a tradição, serviam de comunicação entre várias igrejas locais no tempo dos jesuítas. Têm forma arqueada (abobada de berço) e sentido transversal/longitudinal em grande extensão.