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Bairro do Desterro

Bairro do Desterro

Um dos bairros mais antigos de São Luís, cujo nome é devido à Igreja do Desterro, em torno da qual ele surgiu. Seu patrimônio arquitetônico está bastante deteriorado. Mas a recuperação vem sendo processada através de recursos do PRODETUR, para implementação de projetos de restauração de prédios históricos.

Igreja do Desterro

Ignora-se a data da edificação da primeira igreja, anterior a 1641, humilde e recoberta de palha, fora da cidade, de frente para a praia. Foi profanada em 1641 pelos holandeses de Lichthardt, que aportaram as suas 18 naus na enseada defronte da ermida, atirando-se ao saque da cidade indefesa. Na pilhagem cometeram o sacrilégio de despedaçar a imagem de Nossa Senhora do Desterro, orago da ermida.

Sem aparecer por muito tempo quem se animasse a reedificá-la, em 1832, José de Lê, um preto que morava perto, muito devoto de São José, deu início à construção do novo templo. Passou por inúmeras dificuldades, porém não se deixou abater pelo desânimo. Auxiliado por outros devotos, trabalhou muito, poupando o que podia, indo ao mato cortar madeira, buscar barro, pedra e cal, até que a morte o surpreendeu. Foi substituído por José Antônio Furtado do Queixo, que pôde concluí-la em 1863. Com a morte de Furtado, a Irmandade de Nossa Senhora do Desterro entregou-se ao mais criminoso desleixo. Foram roubados e perdidos os objetos de prata e ouro, que formavam o mais precioso acervo de São Luís.

Devido ao perigo que as ruínas ofereciam, a Câmara Municipal, em 1865, roga ao Bispo autorização para fazer naquele local uma praça e um mercado de peixe. César Marques protesta, rememorando o valor histórico do templo e insistiu tanto na sua defesa, que o assunto foi estudado e, logo depois, uma comissão foi organizada para empreender a reedificação da igreja.

Em 1954, estando esse tradicional templo em estado precário de conservação, a diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional toma a iniciativa de realizar obras de consolidação e preservação, mandando proceder à restauração.

Convento e Igreja das Mercês

Em 1654 chegaram à Cidade, procedentes de Belém, os mercedários João Cerveira (maranhense de Alcântara) e Marcos da Natividade, aos quais se vieram juntar, pouco depois, os frades Manoel de Assunção e Antônio Nolasco, além do irmão leigo João das Mercês. Nesse mesmo ano, levantaram convento e Igreja, modestas construções de taipas, cobertas de palha. Mas, já em 1655, requeriam terreno adicional para a capela-mor e providenciaram a edificação de convento e Igreja mais amplos, de pedra e cal.

A par de atividades evangélicas e educacionais, os mercedários desenvolveram, com redobrado empenho, empreendimentos industriais e agropastoris de que tiravam o sustento e muito ainda lhes sobrava para se irem enriquecendo. Tempos houve em que chegaram a possuir mais de 200 escravos a serviço de extensas plantações, olarias, salinas e fazendas de gado.

Depois das ampliações e recuperações necessárias às suas novas finalidades, o Convento das Mercês foi destinado, por D. Luís da Conceição Saraiva (1862-78), a sede do Seminário Menor, ali inaugurado a 3 de fevereiro de 1863, que viria a ser um importante instituto de humanidades.

Sob o bispado de D. Xisto Albano (1901-7), os prédios do Convento e da Igreja das Mercês, totalizando 1.062 m2 de área construída em terreno de 5.605m2, foram vendidos ao Governo do Estado por quatro contos de réis.

De posse do imóvel, em 5 de maio de 1905, o Governo realizou adaptações e reformas, inclusive a que inverteu as frentes do convento e da Igreja anexa (que davam para o mar) e lhes conferiu a unidade de fachada única, a fim de servirem de quartel para a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros do Estado. Posteriormente esse imóvel passou por completa restauração, com a finalidade de sediar a Fundação da Memória Republicana, que ali mantém importante acervo de livros, documentos, iconografia, condecorações, filmoteca, obras de arte e numerosos outros objetos doados pelo Senador e ex-Presidente José Sarney.

Cafua das Mercês - Museu do Negro

A Cafua das Mercês é um pequeno sobrado de estilo colonial, de fachada uniforme, com dois pavimentos, que se destinavam a suposto mercado de escravos. Contém uma porta principal ladeada e encimada por seteiras, centradas em nichos emoldurados por argamassa, que constituem as únicas aberturas de penetração de luz e ventilação. O telhado termina em beiral. O aspecto sóbrio retrata a tirania da escravatura. Seu interior no térreo de único compartimento, tem piso de lajota de cerâmica. Em seguida, um pátio interno, revestido de cantaria e cercado por um alto muro de pedras, onde existe uma réplica do pelourinho. O segundo pavimento é formado por um quarto sem janelas, cuja iluminação se faz pelas seteiras. Possui piso de assoalho de tábuas corridas e forro de madeira.

Sabe-se que este prédio ocupava área bem maior e, no interior, havia outros compartimentos, hoje extintos.

Solar dos Vasconcelos

Sobrado em ruínas, restando apenas os suportes verticais externos. A fachada consta de dois pavimentos simétricos com duas portadas emolduradas em cantaria lavrada, servindo de eixo imaginário.

Recentemente foi restaurado com recursos provenientes do PRODETUR.
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