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Boi de Zabumba

O Sotaque de Zabumba é, possivelmente, o mais antigo e autêntico representante dos "bumbas" do Maranhão. Suas raízes são, originariamente, africanas. Daí ser o mais primitivo e também o mais " chão". O nome advém do seu instrumento base – a zabumba - tambor de meio metro de altura, conduzido numa vara por dois carregadores e tocado por uma bagueta.

O Boi de Zabumba tem as suas origens nos municípios da Baixada Maranhense, mais precisamente, no município de Guimarães.

Instrumentos

Os maracás servem para realçar o ritmo, harmonizando-se com a zabumba e os tamborinhos. Estes, por sua vez, possuem um som agudo, que preenche as pausas da zabumba. Os tambores de fogo, que são instrumentos toscos, feitos de tronco de mangues, ocados a fogo e recobertos por couro cru de boi, são presos à armação através de torniquetes de madeira, chamados de cravelhas africanas. Os tambores-onça, feitos de folha-de-flandre, madeiras ou material reciclado. Possuem a forma de cilindro com uma das extremidades fechadas por um couro, em que um pequeno bastão é fixado. Produz um som grave, rouco. A zabumba faz o centro da marcação do ritmo do boi.

Ritmo

Vibrante e bastante forte, possui a essência da musicalidade negra. Distingue-se dos demais por ser pausado, alternando cadências lentas e apressadas. A zabumba e o tambor de fogo são os instrumentos predominantes em seu batuque, cabendo aos tamborinhos e maracás preencherem os espaços vazios, dando origem a um conjunto de sons que se fundem. Essa tendência de haver sons secundários para ocupar todos os espaços é inteiramente negra. A dança caracteriza-se por sobrepassos miúdos e repisados: uma forma toda especial no modo de dançar, em que precisamente as tapuias exercem a função de marcar com seus passos a acentuação e o ritmo da zabumba, que poderá ser observado nos calcanhares, ponto principal de apoio das brincantes.

Auto do Bumba-boi

É ainda uma das características fortes do sotaque de zabumba, em que os grupos, em seus ensaios, sempre têm a preocupação de montar esta representação. O auto, tendo como base a estória de Catirina, é criado de uma forma bastante divertida, misturando-se aspectos do cotidiano a imagens da fantasia popular, em que todos os brincantes dão idéias, opiniões acerca das situações que serão representadas no drama.

Indumentária

A vestimenta dos "rajados" compõe-se de saiotes e golas ricamente bordados com pedrarias, miçangas e canutilhos. Os chapéus, em forma de cogumelos, são feitos com armação de buriti e papelão, recobertos por cetim e fitas longas. As tapuias (índias) vestem-se com uma saia de fibra de saco desfiado, com o cós de tecido estampado e blusa do mesmo tecido do cós, bordada. O boi possui a carcaça menor que a dos outros. O couro é bordado em relevos a partir de enxertos com tecidos, pedrarias e acochoados.
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